Organizações sociais protestam contra projeto de Rodoanel metropolitano em Belo Horizonte (MG)

MAB se posiciona contrário à obra que será executada com recursos provenientes de acordo feito entre o governo do estado e a mineradora Vale, como pagamento pelos danos decorrentes do crime de Brumadinho (MG). Movimento defende o investimento do recurso em obras sociais e moradia popular.

Movimentos sociais, pastorais e sindicais estão realizando ato desde às 13h desta terça-feira (13), na porta da Assembleia Legislativa de Minas Gerais contra a implementação do Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte. A obra é prometida pelo governador Romeu Zema com recursos do acordo entre Estado e a mineradora Vale, como pagamento pelos danos causados do crime cometido pela companhia em janeiro de 2019 no Vale do Paraopeba (MG). As organizações estão em vigília desde a noite da segunda-feira (12).

No ato, os manifestantes pedem a exclusão do Rodoanel do Projeto de Lei 2508/2021 de autoria do governador, que trata sobre a abertura de crédito suplementar em decorrência ao termo judicial. Além disso, os moradores que estão em protesto pedem a destinação de R$ 3,5 bilhões de reais (que seriam usadas na obra) para projetos sociais, especialmente na Bacia do Paraopeba atingida pelo crime da Vale. Uma das demandas sociais apontadas pelos manifestantes é a construção de quarenta mil moradias.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) denuncia que os valores utilizados para a obra do Rodoanel provêm de um acordo ditatorial feito entre Vale e o Governo de Minas Gerais, sem a participação dos atingidos – tendo custado o sangue de 273 trabalhadores e trabalhadoras que prestavam serviço para a mineradora.

“É uma obra eleitoreira, que vai projetar o governador Romeu Zema para as eleições de 2022. Além disso, trata-se de um projeto que não interessa ao povo mineiro. Através dele, Zema quer repassar o total de R$ 3,5 bi para a iniciativa privada executar a obra e cobrar pedágio aos moradores da região metropolitana de Belo Horizonte”, denuncia José Geraldo Martins, da coordenação estadual do MAB.

O ato acontece antes de audiência pública que vai debater os impactos sociais e ambientais da obra do Rodoanel na vida das famílias que moram na região metropolitana de Belo Horizonte. Será solicitado que se apresente o planejamento e os estudos técnicos elaborados pelo governo do Estado.

“Ressaltamos os impactos socioambientais causados pela obra que irá destruir nascentes, promover milhares de desapropriações, destruições de serras e locais de proteção ambiental. Ou seja, trata-se de um rodoanel que é inviável do ponto de vista técnico. A posição do MAB é contrária à obra. Defendemos que os recursos pagos pela Vale sejam investidos em projetos sociais em todo estado de Minas Gerais”, enfatiza Martins.

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