Vale quer emplacar jornada de 12 horas de trabalho em Congonhas, MG

Em parceria com o Sindicato Metabase Inconfidentes, MAB e outras organizações denunciam a nova “proposta de trabalho” imposta para os trabalhadores

O capital e o trabalho têm uma pendenga insuperável. O primeiro, busca organizar o ‘negócio’ com base na exploração, impondo regras a favor de seu interesse. O segundo, peleja para sobreviver. 

Esse antagonismo de classe fica escancarado na conjuntura atual, agravada pela pandemia, quando a Vale, que dá linha às demais mineradoras, intensifica movimentação para emplacar Jornada de 12 horas em Congonhas, Minas Gerais. 

Ciente de que seu intento não traz ganho econômico para a classe trabalhadora – e que vai, portanto, esbarrar na resistência -, ela ‘casa’ a Jornada de 12 horas com o debate da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) e tenta virar o jogo, alegando que seria uma experiência temporária, deixando o turno de 6 horas opcional, mas punindo-o com perda econômica. 

Essa questão é relevante, pois a PLR tem peso significativo no rendimento do(a) operário(a), poder por até 1/3 de seu salário. Numa nota equivalente a 3 salários e meio, a simples opção pelo turno de 6 horas resultaria na diminuição de um salário, caindo para 2,5. 

O sistema de exploração do trabalho na Vale é dos mais sofisticados e eficientes. Em 51 minutos, o(a) operário(a) ‘paga’ todos os seus ‘custos’. O restante do tempo da jornada é surrupiado pela empresa. 

O mercado procura camuflar esse roubo alegando que os lucros recordes da Vale no último período se devem à alta do minério e à variação do dólar. Esses são elementos acessórios. A principal fonte garantidora dos recordes de lucro é – e sempre foi – a intensa exploração da classe trabalhadora. A imposição do turno de 12 horas é, claramente, mecanismo de intensificação dessa sangria. Além de significar ‘economia’ em alimentação, transporte, limpeza e tempo ‘ocioso’. 

Não há dúvida de que o turno de 12 horas é bom para a Vale e que ela vai fazer todo tipo de chantagem para impor essa medida em Congonhas. Por outro lado, não há dúvida de que ele é ruim para o(a) operário(a): dobra a jornada de trabalho; gera desemprego, aplicado a conta gotas para não impactar a sociedade; afeta diretamente o ambiente de trabalho, com aumento das doenças, do risco de acidentes; e diminui a expectativa de vida do (a) trabalhador (a). 

Esse ataque da Vale em Congonhas não é exclusivo daqui nem se limita à classe operária. É o seu padrão de comportamento global que, ao mesmo tempo, provoca ataque em várias frentes. Ela opera numa dimensão imperialista, o que a torna extremamente eficiente e violenta. 

Esse ‘padrão imperialista global’ permite a volta de suas atividades minerárias em Mariana sem reparar o crime do rompimento da barragem de Fundão. Esse mesmo ‘padrão’ cacifa a Vale para buscar um conluio bilionário com o empresário Romeu Zema, zerando seus processos na justiça, sequestrando recursos dos atingidos pelo crime em Brumadinho e financiando obras do governo de Minas, algumas eleitoreiras. Esse mesmo ‘padrão’ vem sendo usado para retirar, compulsoriamente, famílias que, estando em risco, moram em áreas de seu interesse e obstaculizam a expansão dos negócios da mineradora. 

Por essas razões, o MAB está unido à campanha do Sindicato Metabase Inconfidentes na defesa da classe trabalhadora, contra a imposição do turno de 12 horas.

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