Ato de lançamento da Jornada de dois anos de Brumadinho marca luta por participação dos atingidos na reparação

Na terça-feira (9), o Movimento dos Atingidos por Barragens realizou o lançamento da Jornada de Lutas que vai denunciar os dois anos do crime da Vale em Brumadinho

Na noite desta terça-feira (8), foi realizado o ato virtual de lançamento da “Jornada de Lutas: 2 anos do crime da Vale em Brumadinho – Justiça só com luta e organização” com a participação de atingidos da bacia do rio Paraopeba, que foram afetados pelo crime da Vale após rompimento da barragem no Córrego do Feijão, em janeiro de 2019. Estiveram no ato também parlamentares e outros apoiadores da causa, além de atingidos de outras regiões do estado de Minas Gerais.

“A Vale prefere gastar um rio de dinheiro pagando pra quem quer que seja, para burlar, e não reparar e recuperar o território”, opina a pescadora em Cachoeira do Choro Eliane Marques. A atingida participou do evento e trouxe o relato da desestruturação das famílias, que passam por necessidade financeira, e como a falta dos banhos de rio fazem diferença na vida dos moradores, que vivem ao lado de uma água com lama contaminada.

“Aqui, faz dois anos, é como se a gente acordasse todos os dias no dia 25 de janeiro”, desabafa a atingida.

Joelisia Feitosa, moradora de Juatuba, explica que muitas pessoas perderam tudo e que a falta de resposta da Vale fez, inclusive, com que muitos moradores abandonassem suas casas na cidade. “A incerteza é muito grande, tem gente que nem mesmo recebeu o Auxílio Emergencial ainda e nem sabe quando poderá receber, as pessoas aqui não têm o direito de fazer planos”, relata a atingida.

Em um depoimento que destacou a importância da luta organizada no movimento, a defensora pública do estado de Minas Gerais Carolina Morishita afirma: “Só conseguimos avançar nesse processo de reparação a partir da luta dos atingidos, tenho certeza que teremos ainda mais vitórias conjuntamente com o MAB”.

Acordo de portas fechadas

Ao longo dos últimos meses, mesmo no contexto da pandemia, os atingidos estiveram em luta em frente ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) para cobrar justiça e participação social em meio a negociações em que a Vale, mesmo sendo ré, permanece ditando as regras perante o governo do estado.

A Fundação João Pinheiro, órgão oficial de pesquisa e estatísticas do Estado, estima em R$ 26 bilhões as perdas econômicas com o rompimento da barragem e R$ 28 bilhões para o pagamento de indenizações às famílias das vítimas e demais atingidos. Segundo noticiado na imprensa, o governador Romeu Zema (Novo) aponta que a maior parte desse valor poderia ser gasto em obras em Belo Horizonte ao invés de ser utilizado na infraestrutura dos locais afetados pelo crime.

Enquanto isso, a cada etapa da negociação a mineradora Vale rebaixa ainda mais a proposta de valor pago para os cofres de Minas Gerais.

Parlamentares

Em depoimentos gravados, o deputado federal Rogério Correia (PT) contou sobre a visita que fez aos municípios da bacia do Paraopeba: “ouvi muitas denúncias de sofrimento nas comunidades, pessoas doentes, crianças assustadas, água imprópria para consumo. Não podemos aceitar nenhum tipo de acordo da Vale que não resolva isso”, diz Correia.

Quem participou também da visita técnica na bacia foi a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) que está em luta para a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o acordo entre a empresa e o governo de Minas.

“Estamos próximos de completar dois anos do segundo crime no nosso estado e conversando com as pessoas percebemos que quase nada foi feito. Vamos cobrar justiça de uma empresa criminosa reincidente”, afirma a deputada.

A deputada estadual Andreia de Jesus (PSOL) também prestou solidariedade e apoio à luta dos atingidos. “Ainda temos hoje um Estado que deve a população mineira uma resposta, é absurda a situação da empresa ré continuar sentada em frente aos juízes dizendo o que ela deve fazer”, pontua Andreia.

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