Atingidos por Candonga decidem permanecer acampados

MAB aguarda resposta de carta enviada ao Governo Federal. Agricultor desaparecido é homenageado no nome do acampamento Famílias atingidas pela usina hidrelétrica Risoleta Neves, conhecida na região como barragem de […]

MAB aguarda resposta de carta enviada ao Governo Federal. Agricultor desaparecido é homenageado no nome do acampamento

Famílias atingidas pela usina hidrelétrica Risoleta Neves, conhecida na região como barragem de Candonga, decidiram em assembléia realizada ontem (5) continuar acampados às margens da MG 123 próximo à cidade de Rio Doce, na Zona da Mata de Minas Gerais. O acampamento é parte da Jornada Nacional de Lutas do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Os atingidos exigem que representantes da Vale e da Novelis do Brasil, proprietárias da barragem, negociem imediatamente e reconheçam centenas de pescadores, garimpeiros, meeiros e diaristas como atingidos, bem como que sejam resolvidas diversas pendências e revistas as negociações que trouxeram grande prejuízo às comunidades.

Uma carta escrita pela coordenação do acampamento foi enviada para Gilberto Carvalho, Ministro Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, pedindo que o Governo Federal intervenha imediatamente para que o Consórcio Candonga se reúna com o MAB. Na carta, os atingidos afirmam não querer “conversar com funcionários intermediários que há mais de 12 anos trabalham para enganar e ameaçar os trabalhadores. O Acampamento Gabundo permanece até o dia em que apresentar a pauta dos atingidos ao Consórcio Candonga. Lutaremos para que a Licença de Operação mantida por força de liminar que vence em setembro não seja renovada até que todas as pendências sejam resolvidas”.

Acampamento Gabundo

Como forma de reafirmar as denúncias de violação de direitos humanos cometidas pelo Consórcio Candonga, as famílias acampadas homenageiam João Caetano dos Santos, conhecido na região como “Gabundo”. O agricultor de 57 anos morava em uma casa situada dentro do canteiro de obras da OAS Ltda., construtora responsável pela barragem. Na madrugada do dia 09 de fevereiro de 2003 João Caetano saiu para pescar e nunca mais foi visto.

Entre diversas versões contraditórias, a Vale, a Novelis do Brasil e a OAS não apresentaram explicações para o ocorrido. Um inquérito foi aberto para apurar o caso, mas a investigação foi arquivada sem conclusões satisfatórias. Há mais de 09 anos a família de João espera respostas.

“O Acampamento Gabundo é uma homenagem ao agricultor, aos seus familiares e amigos. Uma forma de fazer memória a este companheiro, vítima do processo truculento de instalação desta barragem que deixou prejuízos materiais incalculáveis e um grande trauma em todas estas famílias”, afirma Fernanda Oliveira Portes, membro da coordenação estadual do MAB em Minas Gerais.

Enquanto aguarda o início das negociações com o Consórcio Candonga, o Acampamento Gabundo promove atividades. No domingo (03) as famílias receberam a visita do Deputado Federal Pe. João, que ouviu as queixas dos atingidos e se comprometeu a contribuir para reforçar a denúncia da violação de direitos por parte da Vale e da Novelis bem como insistir com o Ministro Gilberto Carvalho que intervenha diretamente na situação. Ao final da visita, o deputado participou de um almoço com todas as famílias acampadas.

Também está prevista a visita de membros da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Minas Gerais acompanhados do Mandato do Deputado Estadual Durval Ângelo que irá visitar as comunidades atingidas, refazer a denúncia contra o Consórcio Candonga e contribuir para que as empresas negociem com as famílias.

“Estamos em um momento muito importante. Avançamos no combate às ameaças e mentiras espalhadas pelo Consórcio com o objetivo de desmobilizar os atingidos. As famílias estão vindo em grande número às atividades do Acampamento Gabundo. Isto reforça que, de fato, a dívida da Vale e da Novelis nesta região é muito grande. E que o que queremos é que estas empresas simplesmente assume sua responsabilidade, cumpra a lei e pague sua dívida com os atingidos”, afirma Thiago Alves, membro da coordenação do MAB em Minas Gerais.