Dom Pedro Casaldáliga: um exemplo de luta no interior do Brasil

O Movimento dos Atingidos por Barragens manifesta profundo pesar pela morte do missionário Dom Pedro Casaldáliga

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) manifesta seu profundo pesar pela passagem de Dom Pedro Casaldáliga, o missionário nascido na Catalunha que escolheu o Brasil para viver seu ministério em plena ditadura militar. Animado pelas inspirações do Concílio Vaticano II, optou pelo trabalho em chão brasileiro marcado pela concentração fundiária, pelo analfabetismo e pela violência contra os camponeses pobres e sem terra.

Foi a partir de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso, de cuja prelazia se tornou bispo em 1971, que Pedro ecoou sua voz contra as injustiças, tornando-se uma referência internacional na defesa dos direitos humanos, enfrentando a violenta perseguição da ditadura e das forças de morte que até hoje tiram a vida de tantos lutadores e lutadoras do povo.

Nesta corajosa trajetória, Dom Pedro foi um dos criadores da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), organismos vinculados à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Seu legado de 92 anos de vida é inspiração para os atingidos e atingidas por barragens do Brasil, sobretudo neste momento de tantas injustiças, quando é preciso lutar de maneira obstinada, mas nunca cedendo ao ódio e as forças da morte, que são os instrumentos dos inimigos do povo.

Sua passagem é dolorosa, mas não nos deixa na tristeza. Pelo contrário, nos anima na esperança que sempre foi e é a guia de todos nós.

Obrigado por tudo, nosso amigo e mestre, Dom Pedro Casaldáliga!

A semente está lançada e a colheita está em nossas mãos.

“Incito à subversão

Contra o poder e o dinheiro

Quero subverter a lei

Que perverte o povo em grei

E ao governo em carniceiro

…Creio na foice e no feixe

Destas espigas caídas

Uma morte e tantas vidas

Creio nesta foice que avança

Sob este sol sem disfarce

E na comum esperança.”

Dom Pedro Casaldáliga.

Trecho extraído do poema “Canção da Foice e do Feixe”.