MAB se soma à brigada de solidariedade às famílias atingidas por inundações em Jequié (BA)

Brigada formada pelo MTD está apoiando mais de 400 famílias que ficaram desalojadas por conta do alagamento do Rios de Contas

Militantes do MAB e do MTD em distribuição de cestas básicas. Crédito: Gabrielle Sodré – Coletivo de Comunicação do MAB

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) chegou essa semana em Jequié na Bahia para se somar à brigada de Solidariedade formada para apoiar as famílias que ficaram desalojadas por conta das inundações na região. A Brigada articulada pelo Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras por Direitos (MTD) agora conta com os esforços do MAB, da ADUSB – Associação dos Docentes da UESB e das agentes de saúde comunitária do município para apoiar as cerca de 400 famílias que tiveram que abandonar as suas casas às pressas na véspera de Natal. O Sindipetro e a Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia (POCAE) também estão se juntando para apoiar a Brigada.

As enchentes causadas pelas chuvas intensas na região foram agravadas pela abertura das comportas da barragem de Pedra gerida pela Chesf e acabaram causando o alagamento de bairros nas partes baixas da cidade. Inicialmente, as pessoas desabrigadas foram recebidas em creches, escolas, igrejas e pontos de apoio e agora tentam voltar às suas casas.

Brigada de Solidariedade formada por MTD, ADUSB, MAB, Sindipetro e agentes de saúde

Desde dezembro, a ajuda humanitária oferecida a essas pessoas pela Brigada inclui a distribuição de cestas básicas com alimentos e material de higiene pessoal e limpeza, processo de cadastramento das famílias para compras de novos móveis e apoio na articulação com o poder público. Ontem, 11, houve uma reunião da Brigada para avaliação das ações já realizadas e os próximos encaminhamentos.

De acordo com Léia Nascimento, da direção estadual do MTD, o Movimento está atuando junto às comunidades atingidas desde o dia 26 de dezembro, quando a chuva provocou as primeiras inundações. Para isso, foi realizada a parceria com diferentes organizações como a Consulta Popular, o Sindipetro, a Associação dos Docentes da UESB e entidades filantrópicas para atender as demandas mais imediatas como a doação de mantimentos e colchões. Na sequência, se iniciou um processo organizativo e um debate político sobre as causas e soluções da situação. “A gente, inclusive, provoca a própria população para que eles se tornem sujeitos da luta”, explica a liderança.

Léia explica que, nesse momento, o movimento atua para consolidar a Brigada de Solidariedade juntamente ao MAB para tratar das questões mais complexas. “Nessa fase em que passou a situação mais imediata, os problemas mais estruturais começam a vir à tona: casas com risco de desabamento, famílias que ainda estão desabrigadas, o processo de reconstrução de rotina dessas famílias. Então, a gente passa a ouvir os aspectos detalhados das demandas das pessoas e provocar o poder público para dar respostas mais concretas à situação que é ajudar as pessoas a retomarem suas vidas. Estamos acionando a prefeitura, a defesa civil, vereadores e secretarias, buscando esse diálogo com as representações oficiais municipal e estadual.”

“Hoje, chegamos aos bairros da cidade que foram atingidos pelas enchentes e o cenário é muito triste. Muitas casas estão com entulhos e lixo trazido pela água, outras estão com a estrutura danificada. Nesse momento, o MAB vai organizar a comunidade para reivindicar a reparação dos danos sofridos”, conta Luiz Carvalho, um dos coordenadores do Movimento no estado. Para apoiar a comunidade, o MAB está organizando uma campanha de arrecadação de recursos.

Mesmo diante da emergência, o governo federal tem agido de forma negligente e recusado ajuda para os municípios que sofrem com as inundações no estado, embora o governo da Bahia tenha apoiado o município. Ainda assim, de acordo com Gabrielle Sodré, que também é coordenação do MAB no estado, a pauta de reivindicação é ampla. Por isso o Movimento está articulando uma audiência pública para discutir principais demandas dos atingidos nesse momento.

Bairro Mandacaru inundado pelo Rio de Contas. Foto: Gabrielle Sodré

“Se a água está contaminada, temos que chamar o órgão responsável para ir lá avaliar, se o encanamento quebrou, a Embasa, que é a companhia de saneamento da Bahia, tem que ir lá para reestabelecer o serviço. As famílias têm que receber a isenção de água e luz porque elas ainda estão sendo cobradas, sendo que elas nem estão vivendo em suas casas. Elas têm que ter isenção do IPTU e acessar o recurso do aluguel social. Então, a Prefeitura tem que dar respostas para todas essas questões, entre outras. Eles já estão se articulando, mas é importante que os movimentos sociais e as entidades representativas estejam envolvidas e que as famílias sejam protagonistas desse processo de reparação”, analisa.  

Gabrielle também lembra que, apesar de terem a possibilidade de voltar às suas casas, as famílias seguem em situação de alerta por conto do risco de rompimento de barragens na região e novas inundações que podem fazer com que elas percam tudo que elas acumularam ao longo da vida com muito esforço.

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