População de Itatiaiuçu sofre com risco de rompimento de duas barragens

Comunidades atingidas pelas barragens de rejeitos da ArcelorMittal e Usiminas não têm rota de fuga e estão isoladas

Diante das fortes chuvas que atingem a região central de Minas Gerais, Itatiaiuçu é mais um dos municípios que está sob a ameaça do rompimento de barragens de mineradoras que atuam no estado. Além de sofrer com a insegurança diante do risco provocado pelas barragens das siderúrgicas ArcelorMittal e Usiminas, muitas famílias das comunidades de Lagoa das Flores e Vieiras ficaram isoladas por conta da inundação da área.

A situação de pânico, especialmente em períodos chuvosos, é uma constante na vida dos moradores do município desde fevereiro de 2019, quando houve o acionamento do plano de emergência da barragem Serra Azul, após a siderúrgica ArcelorMittal detectar uma mudança no nível de segurança da estrutura. Na ocasião, 200 famílias foram evacuadas e outras 700 continuaram morando abaixo da barragem, ameaçadas pela estrutura que tem nível 2 de emergência.

A barragem Serra Azul é à montante, modelo considerado mais perigoso – o mesmo das estruturas que se romperam em Mariana, em novembro de 2015, e em Brumadinho, em janeiro de 2019. Até hoje, três anos após a evacuação, as famílias desalojadas seguem morando de forma provisória sem poder voltar para suas casas.

Já a barragem da Mineração Usiminas teve vazamento de rejeitos no dia 22 de dezembro do último ano, de acordo com moradores do entorno. A empresa negou o fato e garantiu que a barragem estava segura. Dias depois, porém, ela entrou em nível 1 de emergência, o que indica uma clara fragilidade na estrutura.

ArcelorMittal não cumpriu Acordo estabelecido pelo Ministério Público

As comunidades localizadas abaixo das barragens têm rotas de fuga construídas pela mineradora que, no entanto, não funcionam. Nas rotas alternativas, os atingidos não conseguem passar com carros pela condição da estrada, inviabilizando esta alternativa para o caso de rompimento, como é exigido em acordo firmado entre a ArcelorMittal e os ministério públicos Estadual e Federal em outubro de 2020. De acordo com o termo, a também teria que construir uma barreira de contenção para garantir a segurança da população, mas a obra não foi executada.  

De acordo com Pablo Dias, coordenador do MAB no município, o isolamento das comunidades caracteriza um claro descaso com os atingidos que estão extremamente expostos em caso de rompimento das barragens. “A mineradora ArcelorMittal, inclusive, se negou a disponibilizar maquinário para obras emergenciais solicitadas pela prefeitura do município”, afirma o militante.

Ainda segundo Pablo, a falta de informações confiáveis por parte das mineradoras também aumenta a situação de vulnerabilidade da população. “A comunidade local está mobilizada em solidariedade com os atingidos, promovendo uma importante rede de apoio. Ainda assim, os moradores exigem das mineradoras e dos órgãos responsáveis informações mais precisas, cumprimento dos acordos já elaborados, atenção aos casos emergenciais e celeridade na reparação das famílias atingidas pelo acionamento do Plano Emergencial da Arcelor Mittal.”

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