A luta de Palloma Silva, mulher trans, nordestina, pelo direito pleno à água e ao amor

Foi na luta pela água em Caucaia no Ceará, que Palloma Silva conheceu o MAB em 2016. Hoje, ela conta sua trajetória na militância contra a violação de grandes empreendimentos enquanto pessoa LGBT

Conceitualmente lagamar é um manancial de água que se forma na “cova ou braço de um rio”, também chamado tecnicamente de “corpo d’água alongado”. Apesar de ter se criado no entorno do Lagamar do Cauípe, na região metropolitana de Fortaleza (CE), porém, Paloma Silva luta pelo acesso pleno à água em sua comunidade.

“São em torno de 27 comunidades que ainda hoje sofrem com a falta de abastecimento de água. É muito contraditório porque a gente mora do lado de um lagamar, com água boa, que daria para atender a população, mas nos é negado o direito de abastecimento.

Enquanto para as famílias que nasceram e foram criadas às margens do lagamar, ainda falta esse acesso, para as empresa não falta, porque nós moramos do lado do Complexo Industrial e Portuário do Pecém e eles têm amplo acesso à água.” O complexo industrial tem autorização do governo do estado para captar água na Área de Proteção Ambiental (APA) do Lagamar do Cauípe – que aparentemente não garante a proteção dos direitos básicos de seus moradores.

A luta pelo acesso a esse direito essencial à água foi a primeira de Paloma junto ao Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) que despertou nela também a vontade de lutar contra as violações que sofre por ser uma mulher trans.

“O MAB é uma família assim que acolhe, ensina e nos prepara para sempre estarmos lutando e reivindicando nosso direito básico à vida e o direto à amar”.

* Esse artigo faz parte de uma série de perfis de coordenadores do MAB produzidos em celebração aos 30 anos do Movimento.

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