Nota do MAB | Novo colapso em Manaus não é tragédia, é parte de um projeto

Manaus, no Amazonas, está em novo colapso, e agora ainda mais sério, devido à pandemia da Covid-19. Profissionais de saúde denunciam que pacientes estão morrendo por falta de oxigênio em plena região conhecida como o “pulmão do mundo”

A negligência e o negacionismo vêm causando um aumento exponencial no número de casos de Covid-19 e mortes na capital amazonense. Segundo o jornal El País, nos primeiros 14 dias de 2021, foram registrados 1.657 mortes no município (considerando todas as causas). O número é maior do que todos os sepultamentos contabilizados desde o auge da pandemia, em abril do ano passado, até dezembro: 1.285.

Cemitério em Manaus. Crédito: Amazônia Real / Fotos Públicas

A empresa que fornece oxigênio estuda importar de sua unidade na Venezuela para suprir a demanda local, 160% maior que a registrada no primeiro pico da doença.

A crise ocorre duas semanas após as festas de final de ano. Ainda em dezembro, o governador do Estado decretou o fechamento de atividades não essenciais, mas recuou após pressão de deputados e empresários bolsonaristas.

Atribui-se esse aumento nos contágios em Manaus a uma nova variante do vírus, supostamente mais transmissível que a anterior. No entanto, as medidas a serem tomadas para combater o coronavírus, em especial o distanciamento social, não mudaram, e muitos países ao redor do mundo enfrentaram assim novas ondas de contaminação após flexibilizarem o isolamento.

A falta de oxigênio, os recordes de mortes, a falta de medicamentos e as filas de espera para internação em Manaus, o desespero de parentes e das equipes de saúde – tudo isso poderia ter sido evitado se fosse levada à sério a experiência recente do caos provocado pela pandemia na cidade e se houvesse sinergia entre os governos municipal, estadual e federal.

Manaus, infelizmente, é um prenúncio do que pode ocorrer em outras metrópoles brasileiras se o projeto genocida em curso prosseguir.

Não é possível negar a responsabilidade do Governo Federal e não se pode afirmar que Bolsonaro “não está fazendo nada” referente à pandemia, pior: ele está deliberadamente estimulando o aumento do contágio e favorecendo mutações do vírus ao promover aglomerações e a venda de medicamentos de eficácia duvidosa. Também negligencia os cuidados, não apresenta plano de imunização e se recusa a coordenar ações a nível federal. Além disso, acaba com o auxílio emergencial, promove uma agenda privatista e retira recursos de áreas estratégicas como ciência e tecnologia.

Bolsonaro não chegou ao governo sozinho, mas teve o apoio ativo dos partidos de direita, da burguesia brasileira e do capital financeiro. Alguns representantes desses setores apresentam-se agora como alternativas políticas na condução da crise, mas o povo sabe que são oportunistas de ocasião. Perdemos vidas para não prejudicar o “ambiente de negócios”.

O Brasil tem capacidade e condições de conduzir um plano de vacinação em massa para a população. É preciso iniciar urgentemente e assegurar a gratuidade da vacina pelo SUS. Além disso, em caráter emergencial, é preciso retornar com o auxílio emergencial em valor integral, adiar a aplicação do Enem, previsto para esse domingo, e derrubar a lei do teto de gastos – que inviabiliza a garantia de serviços públicos essenciais.

A crise, no entanto, não dá prenúncios de que está próxima do fim. A única saída a longo prazo é construir um projeto de nação que priorize a vida humana, a natureza, o trabalho e os direitos sociais. Somente uma agenda comprometida com a soberania brasileira pode apontar saídas para a crise sistêmica sem precedentes que estamos enfrentando.

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