Nota do MAB sobre o rompimento da tubulação na barragem Jati, no Ceará

Em nota, o MAB ressalta a importância da fiscalização das barragens no Brasil diante da insegurança que vivem milhares de famílias

A barragem Jati faz parte do complexo de obras da transposição do rio São Francisco para os estados do Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.  Ela está localizada no município de Jati, na região do Cariri, sul do estado do Ceará, a cerca de 550 quilômetros de Fortaleza, com capacidade de armazenar 29,2 milhões de metros cúbicos de água. 

A obra está no eixo norte da transposição que levará água para o Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Na tarde de ontem (21), ocorreu o rompimento da tubulação que faz parte da estrutura para geração de energia e transporte de água para os dois estados vizinhos. Ainda no mesmo eixo que está em fase de testes, existem outras seis barragens com capacidade de acumulação variável, entre elas está um atalho que acumula 108 milhões de metros cúbicos de água. 

Mapa mostra proximidade entre barragem e a área do município de jati, localizado abaixo da estrutura. Elaborado por MAB

A obra do governo federal foi inaugurada pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, no dia 26 de junho, celebrando a chegada das águas no Ceará. No dia 20 de agosto ocorrem os testes do ramal do Cinturão das Águas (CAC), que levaram água até a barragem do Castanhão e ao trecho que liga aos estados vizinhos. Após um dia de teste, ocorreu o rompimento que colocou em risco a vida de 270 mil cearenses nos 9 municípios jusante, até desaguar na barragem do Castanhão.

As imagens veiculadas através da imprensa e informações de lideranças da região mostram o momento de desespero, medo e agonia que viveram os trabalhadores e os moradores do local. Apenas em Jati foram evacuados pela Defesa Civil mais de 2 mil pessoas. Por irresponsabilidade do governo, muitas pessoas tiveram que aglomerar em rodoviárias, casas de amigos e parentes, colocando em risco a contaminação pela Covid-19 de centenas de pessoas.

Para o Movimentos dos Atingidos por Barragens (MAB) o rompimento da estrutura da barragem de Jati evidencia a insegurança e a violação de direitos humanos de quem vive abaixo de barragens no território nacional.

A partir desse crime, o MAB afirma que não podemos esquecer dos crimes de rompimento de barragem que ocorreram em Minas Gerais, nas cidades de Mariana e Brumadinho, que mataram centenas de pessoas. Também acompanhamos as inúmeras situações de insegurança envolvendo barragens em diversos estados, que reforçam a necessidade de maior controle, fiscalização e um política que garanta direitos as famílias atingidas. 

ÁGUAS PARA VIDA E NÃO PARA A MORTE!

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