Segundo dia do Encontro do MAB discute a conjuntura atual

“Nosso principal inimigo é o imperialismo”. Esta afirmação perpassou todas as falas da mesa de análise de conjuntura deste segundo dia do Encontro Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens […]

“Nosso principal inimigo é o imperialismo”. Esta afirmação perpassou todas as falas da mesa de análise de conjuntura deste segundo dia do Encontro Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que reúne cerca de dois mil e quinhentos atingidos entre 2 e 5 de setembro em Cotia (SP).

O espaço da manhã desta terça-feira (03) analisou a correlação de forças no atual cenário nacional e internacional, além das possibilidades de resistências da classe trabalhadora, movimentos sociais e, especificamente, do MAB.

O professor da Universidade Federal do ABC, Igor Fuser, frisou a importância estratégica dos recursos naturais e os mecanismos de apropriação imperialista. “Os EUA tentam controlar todos os bens naturais do mundo através da guerra, em primeiro lugar o petróleo, mas também os minérios, as terras férteis e a água”, afirmou.

As 800 bases militares norte-americanas ao redor do mundo, a iminente guerra na Síria e as últimas guerras travadas no Oriente Médio e no norte da África provam, segundo Fuser, esta corrida pela apropriação dos recursos naturais.

Entretanto, esta realidade também é observada em outras regiões. Para o diretor da Fundación Promotora de Cooperativas (FUNPROCOOP) de El Salvador, Mauricio Venegas, este processo também é observado em toda a América Latina e Central. “O imperialismo está aniquilando as organizações camponesas que estão resistindo aos megaprojetos de mineração”, observou.

Por isso, o coordenador nacional da Consulta Popular, Ricardo Gebrim, reiterou a importância de definir o verdadeiro inimigo da classe trabalhadora. “Nunca na história houve coincidência entre os interesses do povo e do imperialismo. Por isso, quem não encarar o imperialismo como principal inimigo está fora da conjuntura”, advertiu.

Gebrim ainda ressaltou que o momento histórico aponta o início da ascensão da luta de massa, evidenciada nos protestos contra o aumento das tarifas do transporte público que repercutiram em grandes mobilizações em todo o país.

 

Não vamos admitir corpo mole do governo


Na perspectiva deste contexto de acirramento das lutas populares, o integrante da coordenação nacional do MAB, Joceli Andrioli, reafirmou a necessidade da luta contra as multinacionais da energia. “Aqui no Brasil existe um verdadeiro assalto às riquezas nacionais pelo capital internacional. Nas hidrelétricas, isso se reflete em lucros extraordinários, altos preços na conta de luz e milhares de atingidos sem direitos garantidos”, afirmou.

Em relação ao governo, comentou sobre a importância da postura dos movimentos sociais. “Nesses 20 anos de organização dos atingidos, tivemos conquistas, mas ainda não garantimos nossos direitos. É vergonhoso que não exista uma política de direitos dos atingidos no Brasil. Não vamos admitir que o governo faça corpo mole. Sabemos da importância de governos progressistas na América Latina, mas como movimentos sociais nosso papel é pressioná-los para que eles ajam cada vez mais à esquerda”, enfatizou.

O MAB reivindica a aprovação da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB), proposta de criação de um marco legal que garanta os direitos dos atingidos, inexistentes atualmente. 

Fotos: Joka Madruga