Festa dos 20 anos do MAB marca conquista dos atingidos

Logo na chegada, uma placa anunciava: Reassentamento São Francisco de Assis, uma conquista do Movimento dos Atingidos por Barragens. E foi neste reassentamento, em Esmeralda (RS), que no último sábado […]

Logo na chegada, uma placa anunciava: Reassentamento São Francisco de Assis, uma conquista do Movimento dos Atingidos por Barragens. E foi neste reassentamento, em Esmeralda (RS), que no último sábado (17/12) cerca de 2000 pessoas, entre atingidos, autoridades e convidados, festejaram os 20 anos de organização em nível nacional e 30 anos de lutas dos atingidos do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) na bacia do rio Uruguai.

Durante a festa, foi feita a inauguração dos projetos que integram o Programa Agroecológico Integrado e Sustentável (PAIS), de uma agroindústria de processamento de alimentos e de uma microdestilaria de álcool, todas conquistas da organização do movimento.

Para Cleonira de Almeida, moradora do reassentamento, as inaugurações feitas no dia da festa são parte do processo de luta de milhares de famílias que se envolveram no MAB para a garantia dos direitos. “Enfrentamos duras batalhas para não perdermos nossas terras, depois vimos que, se não lutássemos, seríamos jogados em qualquer canto pelas empresas, sem nenhum direito. Que bom celebrar a história num local de conquistas”, enfatizou a atingida.

Estas conquistas às quais Cleonira se refere integram o Plano de Desenvolvimento Regional, cujas reivindicações foram definidas pelos atingidos em seminários e diversos encontros e reuniões e depois apresentadas aos governos federal e estaduais e às empresas donas das barragens da região.

“Lutamos e buscamos esta terra juntos. Além da terra, tínhamos que buscar as condições para as famílias gerarem renda e agregar valor à produção. Neste sentido, acessamos muitos programas, entre eles o Programa de Aquisição de Alimentos, através do qual entregamos a nossa produção, os PAIS e construímos a microdestilaria e a agroindústria. Estas experiências estão viabilizando a permanência dos agricultores na região e queremos levar para todo o Brasil”, finalizou Cleonira.

Volnei Clovis Rodrigues acompanha o MAB desde 1988, ainda quando na região se chamava CRAB, Comissão Regional dos Atingidos por Barragens.  Hoje ele luta na região onde está sendo construída a barragem de Garibaldi, em Santa Catarina. “Naquela época já se dizia que Garibaldi ia ser construída, mas o povo não acreditava. Agora que estão construindo, a empresa não está reconhecendo o direito dos atingidos. Lá nós estamos como MAB resistindo e se organizando, sabemos que o caminho é este”, afirmou. 

No ato político de comemoração, uma mesa repleta de autoridades religiosas e  governamentais, representantes de movimentos sociais e sindicais, entre outros, demonstrou apoio ao Movimento. Humberto de Almeida, representante da Fundação Banco do Brasil, parceira do MAB nos convênios para a implementação do Programa Agroecológico Integrado e Sustentável (PAIS), falou que em 23 de dezembro, a Fundação assinará a liberação para a construção de 200 PAIS e, no início de 2012, mais 600 PAIS.

O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência, enviou uma carta, lida por Selvino Heck, assessor da Secretaria Geral da Presidência da República. Na carta, o Ministro afirma que o Governo Federal “recebeu uma extensa pauta de reivindicações, que está sendo objeto de negociações e encaminhamentos”. Ainda segundo a carta, Carvalho espera que em 2012, “esse diálogo se consolide em uma política estruturada de atendimento para a população atingida por barragens”.

Gilberto Cervinski, da coordenação nacional do MAB, afirmou que o MAB se consolidou enquanto movimento nacional pela sua estratégia de ação, mas também pelos apoios que teve e parcerias e alianças que fez. No entanto, se o Movimento tem grandes amigos, tem também grandes inimigos, que o Movimento enfrentou e enfrenta com bravura, sem nunca ter dúvidas de que lado se posicionar. Ele falou também que todas as conquistas do MAB não vieram das mesas de negociação, mas porque o povo esteve sempre em movimento, lutando para a garantia dos direitos. 

Para encerrar a festa, houve uma grande churrascada oferecida pelos moradores dos reassentamento, com direito a bolo de aniversário e apresentações culturais.