MMC mobiliza trabalhadoras do campo em todo o país

Comemorando os 100 anos do 8 de março como o Dia Internacional de Luta das Mulheres, o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) está mobilizado em conjunto com outros movimentos sociais […]

Comemorando os 100 anos do 8 de março como o Dia Internacional de Luta das Mulheres, o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) está mobilizado em conjunto com outros movimentos sociais camponeses e urbanos em diversas regiões do Brasil.

Neste ano, estamos em mais uma Jornada Nacional para dar continuidade a toda história de luta que juntas estamos construindo nesses 100 anos, pois acreditamos que muitas coisas ainda precisam e devem ser transformadas. As atividades da Jornada de Luta das quais o MMC participa estão acontecendo desde o dia 3/3, e estendem-se até o dia 14/3.

Atividades estaduais da Jornada Nacional de Lutas de março das quais o MMC participa:

No Rio Grande do Sul: As atividades concentraram-se nos dias 3 e 4 de março, em Palmeira das Missões e em Porto Alegre. Em Palmeira das Missões, mais de 800 mulheres da Via Campesina e Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD) trancaram a RST 569, e seguiram em caminhada até a praça da Matriz onde, pela tarde, fizeram um estudo sobre a violência contra as mulheres do campo e da cidade.

Em Porto Alegre, as mulheres realizaram várias ações de denúncia. Em frente à empresa Solae, as mulheres amamentaram esqueletos que simbolizam o sugamento das mulheres pelo capital, principalmente o agronegócio, além de denunciar o uso abusivo dos agrotóxicos e transgênicos. Ao mesmo tempo, outro grupo ocupou o Ministério da Agricultura. À tarde, as mulheres se dirigiram para a UFRGS, onde conjuntamente com os estudantes pautaram a retirada do projeto do Parque Tecnológico – que prevê a cessão de um espaço público da universidade para que empresas como Bunge, Aracruz Celulose realizem pesquisas conveniadas à instituição. A ação mobilizou cerca de 800 mulheres da Via Campesina e organizações urbanas.

O MMC da região próxima a Santa Maria reuniu aproximadamente 600 mulheres camponesas para um dia de estudo e celebração. O encontro aconteceu no município de Ivorá. Na região Litorânea, as mulheres camponesas realizaram encontro regional no dia 6 para debate sobre políticas públicas e realizam audiências em todos os municípios pautando os temas do Código Florestal e do combate à violência.

No Acre, as atividades aconteceram no dia 4/3, na capital Rio Branco. Cerca de 100 mulheres do MMC e da Comissão Pastoral da Terra realizaram uma passeata pautando a implementação do bloco de produtora rural. Uma comissão foi recebida pelo presidente da Assembleia Legislativa, que ficou com o compromisso de discutir com o secretário da fazenda a implementação do bloco de produtora para as mulheres trabalhadoras rurais.

Em Santa Catarina, o Dia Internacional da Mulher traz um amplo debate sobre o tema Bioma Mata Atlântica em seis regiões do estado: São Miguel do Oeste, Dionísio Cerqueira, Chapecó, Joaçaba, Anita Garibaldi e Mafra. O objetivo nesta semana é aprofundar as discussões sobre o tema e dar continuidade à luta por políticas públicas: pagamento por serviços ambientais – PSA, subsídio para a produção de alimentos saudáveis e a carência nas dívidas da agricultura familiar e camponesa, além de denunciar a violência contra as mulheres.

Em Minas Gerais, cerca de 300 mulheres do MMC e de organizações sindicais estão concentradas em frente ao Banco do Brasil em Governador Valadares. Na pauta, elas exigem maior acesso ao crédito.

No Maranhão, cerca de 70 mulheres do MMC, Fórum de Mulheres e estudantes de escolas públicas mobilizaram-se no dia 6/3 em Imperatriz, pautando os efeitos das mudanças ambientais na vida das mulheres. Nesta segunda (8/3), participaram, pela manhã, de uma audiência pública sobre o tema na Câmara Municipal de Imperatriz. Nesta terça (9/3), às 14h, será realizada audiência com o prefeito da cidade sobre demandas das políticas públicas para as mulheres. Na quarta (10/3), às 17h, acontece uma reunião com os presidentes de partidos políticos do município, para discutir o papel da mulher nos partidos, o empoderamento e a participação feminina nas eleições.

Em Roraima, as atividades do Dia Internacional da Mulher foram marcadas por palestras e mobilizações no último sábado (6/3). Com a participação de 30 mulheres, a formação e o ato de rua concentraram-se em São João da Baliza, onde foi pautada a violência contra a mulher, o Dia Internacional da Mulher, as linhas e as bandeiras de luta das mulheres.

Em Alagoas, 450 companheiras e companheiros da Via Campesina (Movimento de Mulheres Camponesas, Movimento dos Pequenos Agricultores, Movimento Sem Terra) e AMIGREAL se mobilizaram em Arapiraca, segunda maior cidade de Alagoas. A mobilização denunciou os grandes projetos do capital, como o avanço do monocultivo da cana-de-açúcar, Canal do Sertão, transposição do São Francisco e os investimentos do governo, que somam mais de R$ 400 milhões para a Vale Verde, empresa mineradora que desde a década de 80 pesquisa o solo do Agreste alagoano.

Em Mato Grosso, cerca de 200 mulheres do MMC e do MST realizaram nos dias 6 e 7/3 formação política para debater a conjuntura atual, os dados sobre violência contra as mulheres, a luta de classes e o modelo do agronegócio. Na segunda-feira (8/3), no centro de Cuiabá, realizaram um ato de rua denunciando a violência do modelo capitalista, patriarcal e machista.

Na Paraíba, as mulheres estarão concentradas no Cassino da Lagoa, em João Pessoa, de onde sairão em marcha pelas principais ruas da cidade, pautando principalmente a violência contra a mulher. Em todo o estado acontecem atividades alusivas aos 100 anos do Dia Internacional da Mulher.

Em Cajazeiras as mulheres realizam uma celebração em memória das mulheres assassinadas no município e região e também uma caminhada pelas principais ruas da cidade, exigindo justiça frente à impunidade dos crimes cometidos contra as mulheres. A caminhada termina em frente ao Fórum de Cajazeiras. Seguem em atividades entre os dias 9 e 12, nos municípios de Queimadas, Monteiro e Remígio.

Em Tocantins, 60 mulheres participaram, no domingo (7/3), de uma reunião de estudo em Nova Olinda. Os principais pontos de discussão foram a violência domestica, a previdência social e a alimentação escolar. Além do MMC, participaram do evento o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, APAE e Casa do Idoso.

No Espírito Santo as atividades concentraram-se no norte do estado e na capital. No município de São Mateus, cerca de 400 mulheres do MMC e da Via Campesina fecharam a BR 101 e seguiram em caminhada até o Banco do Brasil, onde foi entregue uma nota pública pautando políticas para as mulheres camponesas. Em Vitória, mulheres do campo e da cidade, representando o MMC, a Via Campesina e organizações urbanas, realizaram uma marcha pelas principais ruas da capital.

Em Goiás as atividades concentraram-se no município de Rubiataba, onde cerca de 500 mulheres da Via Campesina reuniram-se durante o fim-de-semana (6 e 7/3) em uma atividade de formação. Na segunda-feira (8/3), as mulheres realizaram um ato de rua com panfletagem, apresentando à sociedade os temas debatidos nos dias de formação. O município de Rubiataba foi escolhido por ser o local com maior monocultivo de cana-de-açúcar do estado.

No Pará, as mulheres promovem passeatas na próxima quinta-feira (11/3) em Conceição do Araguaia.

Na Bahia um acampamento estadual reuniu mais de 1500 mulheres da Via Campesina e trabalhadoras urbanas. A abertura da atividade teve início na quinta-feira (4/3). Nesta segunda (8/3), uma caminhada de rua contou com a participação de cerca de 2000 mulheres.

Ainda nesta semana estão previstas atividades em municípios onde o MMC atua.