Dia Internacional da Mulher é marcado por mobilização nacional

Atingidas por barragens participam da marcha que reunirá representantes de todos os estados do país Entre os dias 8 e 18 de março, a Marcha Mundial das Mulheres organizará sua […]

Atingidas por barragens participam da marcha que reunirá representantes de todos os estados do país

Entre os dias 8 e 18 de março, a Marcha Mundial das Mulheres organizará sua 3ª Ação Internacional no Brasil. Com o lema “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”, elas irão fazer uma marcha de Campinas a São Paulo, realizando debates nas escolas, igrejas e clubes sobre temas como a autonomia econômica das mulheres, os bens comuns e serviços públicos (contra a privatização da natureza e dos serviços públicos) e a violência contra as mulheres.

As mulheres atingidas por barragens também participarão levando a experiência de vida e de luta no processo de construção das usinas. Por residirem em áreas rurais, em sua maioria, elas mantêm uma relação próxima com a terra. Usam os recursos naturais principalmente para a alimentação, mas também à outros usos, como chás, energia da lenha para cozinhar e aquecer, etc. Nesse sentido, as mulheres são as principais vítimas da degradação ambiental ocasionada pelas barragens, que implica em grandes perdas para quem depende da natureza para sobreviverem.

Vale ressaltar que, no que tange ao trabalho fora de casa, muitas atingidas por barragens perdem sua identidade e há uma precarização das condições de trabalho com a chegada dessas grandes obras. “Mulheres que antes eram pescadoras, extrativistas, de comunidades tradicionais e indígenas, por exemplo, são obrigadas a saírem de seus espaços e fazer serviços domésticos nas casas dos trabalhadores das obras, ou nas empresas que chegam na região, sem nenhum direito garantido. Assim, elas e as futuras gerações perdem suas raízes, pois são obrigadas a vender sua força de trabalho para sobreviver”, disse uma coordenadora do MAB.

Outra constatação é a instalação de negócios da prostituição perto do canteiro de obras da barragem ou junto ao alojamento dos trabalhadores. “Essa estratégia das empresas tem o objetivo de “entreter” os operários, que estão longe de suas famílias há bastante tempo. Em alguns casos, há a mercantilização do corpo das mulheres com a venda de adolescentes para a prostituição, podendo até influenciar e facilitar o tráfico internacional de mulheres”, denuncia a militante.

Estes e outros temas que refletem as condições de vida das mulheres atingidas por barragens serão levados para a Marcha Mundial de Mulheres, além de todo o acúmulo que o MAB possui no debate sobre a soberania energética e a campanha “O preço da luz é um roubo”.