Ibama e Funai não comparecem a audiência sobre Belo Monte

Da Radioagência NP Lideranças ribeirinhas, indígenas, sem-terras e de movimentos sociais se dizem frustradas depois que o Ibama, Eletrobrás, Eletronorte e Funai não compareceram às audiências públicas programadas para terça-feira […]

Da Radioagência NP

Lideranças ribeirinhas, indígenas, sem-terras e de movimentos sociais se dizem frustradas depois que o Ibama, Eletrobrás, Eletronorte e Funai não compareceram às audiências públicas programadas para terça-feira (1/12) e quarta-feira (2/12), em Brasília. O objetivo era esclarecer para a população os impactos socioambientais que serão gerados com a construção da hidrelétrica de Belo Monte.

Segundo o presidente do Conselho Indígena de Altamira (COIA), Luis Xipaya, o não comparecimento dos órgãos mostrou ainda mais a indiferença do governo com as populações atingidas pela construção. Até mesmo a Funai declarou que era favorável a construção da Usina, sem ao menos terem consultados os indígenas.

“Mais uma vez, eles querem fazer o projeto Belo Monte de uma forma truculenta, arbitrária, sem consultar e dar esclarecimentos para a população indígena. O projeto, na verdade, é falho. As populações indígenas não têm real clareza da situação e dos impactos de Belo Monte.”

A Usina de Belo Monte na Bacia do Rio Xingu é a maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo Lula. Populações indígenas de 15 etnias afirmaram em uma carta entregue ao governo que entrarão em confronto, caso se inicie as obras na região.

“Nós não vamos mais discutir Belo Monte. Nós vamos recuar para nossas aldeias e esperar a ação do governo. Governo, não construa Belo Monte, se não realmente haverá confronto com as populações indígenas. Quem entrar naquela região pode ter a certeza que vai enfrentar os povos indígenas.”

Segundo a liderança indígena, índios de outras regiões do país já manifestaram apoio, caso seja necessário um confronto.