NOTA | MAB manifesta solidariedade aos atingidos pelas enchentes e deslizamentos no Rio de Janeiro

Movimento dos Atingidos por Barragens cobra ações emergenciais do poder público para atender afetados pelas chuvas

Em 2021, o bairro Caxambu, em Petrópolis, foi atingido por deslizamentos após os temporais nos meses de fevereiro e março, que deixaram centenas de mortos. Um ano depois, população do estado sofre com mesmo drama por falta de políticas públicas de prevenção de desastres naturais em áreas de morro. Foto: Luana Farias

Ontem, 07, mais uma vez a população trabalhadora do estado do Rio de Janeiro foi vitimada pelos efeitos das chuvas. Em todo o estado, mais de 240 ocorrências foram atendidas pelo Corpo de Bombeiros, que socorreu muitas pessoas que estavam ilhadas, em situação de risco. Somente na capital, cerca de 113 sirenes foram acionadas sinalizando alto risco para a vida da população.

Até agora não existe um balanço geral sobre os estragos causados pelas chuvas, porém, ao menos duas pessoas morreram, sendo que uma das vítimas se trata de uma criança de apenas dois anos de idade, que não resistiu após o desabamento da própria casa. O imóvel foi atingido por um deslizamento no Morro Chácara do Céu, localizado no Alto da Boa Vista (zona norte da capital fluminense).

Segundo a Defesa Civil, as áreas com maior risco de desabamento são as regiões metropolitana e serrana, além das baixadas litorâneas, com atenção especial para os municípios de Niterói, São Gonçalo, Cachoeiras de Macacu, Maricá, Rio de Janeiro, Nova Friburgo e Saquarema.

Nos últimos anos, temos acompanhado com preocupação e proposições todos os debates sobre as mudanças climáticas e suas consequências socioambientais, porém, não concordamos com os discursos que culpabilizam apenas as chuvas ou a “falta de educação ambiental” das pessoas pelos eventos como este.

Essa narrativa sempre vem à tona quando os eventos extremos causam a morte de pessoas e destroem comunidades periféricas. O problema é que, em primeiro lugar, as chuvas são eventos inevitáveis, mas a forma que elas impactam a vida das pessoas é atravessada por uma dimensão social. Enquanto nos bairros ricos, a chuva no máximo dificulta a circulação de carros, nos bairros pobres, famílias perdem parentes, casas e móveis e, sequer, conseguem meios de transporte.

Em segundo lugar, quando se atrela os eventos climáticos (como os deslizamentos) aos comportamentos individuais (como a falta de consciência ambiental), acaba-se culpabilizando as próprias vítimas e isentando o estado brasileiro, os governos e as instituições responsáveis pelo planejamento urbano.

Prestamos irrestrita solidariedade ao povo fluminense, especialmente aos familiares das vítimas fatais dessa triste realidade. Enquanto Movimento dos Atingidos por Barragens, também convivemos com a dor e a insegurança diária de sermos expostos e atingidos por tantas mazelas. Por isso, ao mesmo tempo em que somos solidários, nos colocamos à disposição das comunidades atingidas nesse momento, para lutarmos juntos por direitos básicos diante dessa situação que não é novidade na vida da população do Rio de Janeiro.

Cobramos do poder público que empreendam esforços para solucionar os problemas, principalmente nas áreas de maior vulnerabilidade, ouvindo a população das comunidades, os movimentos, coletivos e associações. É urgente a discussão de uma lei estadual que garanta a segurança, reparação integral e os direitos dos atingidos e atingidas.

Seguem nossas propostas:

  • Abertura de uma mesa de discussão sobre as enchentes, deslizamentos e reparação composta por entes do poder público, atingidos, movimentos e coletivos que atuam nas áreas atingidas;
  • Diagnóstico da situação das áreas atingidas;
  • Auxílio aluguel para as famílias em áreas de risco;
  • Doação de cestas de alimentos;
  • Auxílio gás de cozinha;
  • Isenção nas contas de Luz;
  • Isenção nas contas de água.

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