Entenda em 5 pontos: como o governo Bolsonaro promoveu a explosão dos preços dos alimentos

Alimentos básicos ficam até 180% mais caros desde o começo do governo Bolsonaro, causando o aumento drástico da insegurança alimentar no país

Arroz e feijão preto estão entre itens com maiores altas.| Foto: Arquivo/Gazeta do Povo

Inflação alta, insegurança alimentar e escassez de determinados produtos são alguns dos problemas que, nos últimos anos, voltaram a fazer parte da vida de brasileiros que acreditavam que o país já tinha superado esses desafios.

Um dos efeitos mais catastróficos do governo Bolsonaro, a disparada do preço dos alimentos da cesta básica causou o aumento da fome no país e segue assustando as famílias a cada ida ao mercado. Óleo de soja, leite, feijão carioca, batata e arroz são alguns itens que tiveram preços subindo de forma alarmante desde o início do governo atual. Ao longo dos últimos anos, alguns destes itens passaram a custar mais que o dobro do preço de 2018. O óleo, por exemplo, ultrapassou os 183% de aumento e vários outros itens tiveram um aumento de preço acima da inflação.

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o trabalhador que recebe salário-mínimo gasta até 69,31% do rendimento com o valor da cesta básica – percentual registrado em São Paulo.

Os preços subiram em resposta à desvalorização do real, ao aumento da inflação e a outros fatores ligados à política econômica do governo Bolsonaro, aliados à crise causada pela pandemia da Covid-19. Vale lembrar que, no Brasil, a pandemia foi estendida também devido à péssima gestão do governo, que chegou a deixar o país vários meses sem ministro da Saúde em plena crise sanitária mundial.

Enquanto muitas famílias sofrem coma restrição de acesso aos alimentos, ao invés de criar políticas de segurança alimentar, Bolsonaro anuncia a redução de impostos do jet ski e do ‘Whey Protein’, um suplemento para atletas consumido por um pequeno setor da classe média alta.

Como resultado desse descaso, em 2022, 33,1 milhões de pessoas estão passando fome no Brasil; mais da metade da população brasileira (58,7%) está em insegurança alimentar em algum nível; e de 10 famílias apenas 4 possuem acesso total à alimentação.

Entenda os principais motivos da alta do preço da comida

Foto: reprodução

1 – Foco na exportação de comida

Mesmo diante da crise da pandemia e dos conflitos na Europa, o governo brasileiro seguiu estimulando a exportação de alimentos para o mundo, sem se preocupar em fazer uma reserva.

2 – Fim dos estoques públicos de alimentos

Nos últimos anos, o governo esvaziou os estoques públicos de alimentos, acabando com a reserva de itens como o arroz e o feijão dos armazéns estatais. Esses estoques eram utilizados para garantir o fornecimento de alimentos em períodos de desabastecimento ou inflação alta, garantindo preços justos para a população. 

3 – Falta de recursos para a agricultura familiar

Em mais uma demonstração de desrespeito à vida do povo brasileiro, Bolsonaro vetou integralmente o projeto de lei nº 823, de 2021, a Lei Assis Carvalho II, que instituiria medidas emergenciais de amparo a agricultores impactados economicamente pela pandemia da Covid-19.

O PL também previa a destinação de recursos e a criação de uma linha de crédito para que os pequenos agricultores pudessem investir na produção de alimentos para abastecer o país. O aumento da oferta de alimentos consequentemente diminuiria o custo da comida para a população.

4 – Aumento do Preço do petróleo

No Governo Bolsonaro (assim como no governo Temer), a Petrobras adotou uma política de precificação do petróleo baseada no preço internacional (Política de Preços de Paridade de Importação), impactando diretamente no preço dos combustíveis derivados, como gasolina e diesel. O custo mais alto dos combustíveis influencia no preço geral de tudo que consumimos.  

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Centrais de Abastecimento (Abracen), Eder Eduardo Bublitz, o encarecimento do frete motivou um repasse de aproximadamente 10% nos preços de grãos, frutas e legumes vendidos no atacado, por exemplo.

5 – Desvalorização do real

Com a desvalorização do real em relação ao dólar (causada pela política econômica do governo), os produtores brasileiros tendem a exportar mais, restringindo a oferta doméstica. Por isso, itens  como soja, café, açúcar e carne, registraram as maiores altas.  

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