MAB participa de mobilização de pescadores atingidos por barragem da Suzano em Aracruz (ES)

Movimento organizouDurante assembleia foi discutida com Defensoria Pública do estado a situação de assoreamento do Rio Riacho provocado por barragem da Aracruz, que está impedindo acesso dos pescadores ao mar

Final da Assembleia com os pescadores da Barra do Riacho, Defensoria Pública, MAB e SINDIPESMES

Na última terça, 07, representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB participaram de uma visita à comunidade Barra do Riacho, no município de Aracruz, onde foi realizada uma assembleia junto ao Sindicato dos Pescadores e Marisqueiros do Espírito Santo – Sindipesmes e à Defensoria Pública do Espírito Santo – DPES. Na ocasião, foi discutida a situação de assoreamento do Rio Riacho, que está impedindo o acesso dos pescadores da comunidade ao mar.

De acordo com os moradores, o assoreamento é provocado pela empresa Suzano Papel e Celulose, que causa inúmeros danos ambientais e conflitos históricos na região. Durante uma visita ao rio, os presentes puderam observar a situação das embarcações que não conseguem mais navegar em direção ao mar em segurança devido ao represamento do rio.

“Eu nasci na Barra do Riacho e sou um dos pescadores mais antigos daqui. Temos sofrido de uns tempos pra cá com o assoreamento que aumentou muito, principalmente na Boca da Barra porque aquela barragem que foi feita vai assoreando, porque quando dá enchente, a areia desce”, afirmou o morador Ademar Miranda.

Antes da operação da Suzano, outras empresas que atuam no complexo papeleiro da região, como a Aracruz Celulose e a Fibria, tentaram resolver o problema do assoreamento com o uso de máquinas para a abertura da Boca da Barra. A ação paliativa, porém, não tem funcionado. Por isso, os pescadores reivindicam uma solução permanente para a questão da navegabilidade.

“Chegou o momento de nos juntarmos e tentar fazer algo pela nossa classe, para não chegarmos ao fim da vida sem ver a Barra estabilizada para que possamos entrar e sair com segurança no mar. Sou pescador desde os 13 anos de idade e não quero mudar de vida. Não quero ser vereador. Quero ser o humilde pescador que sempre fui e é como quero terminar a minha vida”, afirmou o morador Alexandre Barbosa Ribeiro.

“Não é justo que para manter sua represa cheia, a indústria de celulose impeça o escoamento do volume de água necessário para manter aberta a boca da barra, prejudicando a pesca artesanal, essa atividade tão importante para o sustento das famílias da comunidade”, afirma Heider Boza, integrante da coordenação nacional do MAB.

Além do assoreamento do rio, a barragem também represa as águas do canal Caboclo Bernardo, que liga a Bacia do Rio Riacho à Bacia do Rio Doce, contaminada por rejeitos de minério. Outra denúncia feita pelos moradores é a de que as empresas que atuam no setor de celulose também realizam o despejo de resíduos do seu complexo industrial químico no cursos de água de Aracruz.

Moradores são atingidos por barragem há 40 anos

Ademar Miranda (primeiro à direita) e Heider Boza, integrante do MAB, com grupo de pescadores.

Segundo Heider, o MAB chegou ao estado após o crime da Samarco, porém, a região já sofria com a atuação de outras empresas controladoras de barragens antes deste crime. “A nossa percepção é que a comunidade é atingida por barragens há muito mais temo. Há 40 anos vocês foram atingidos aqui. A gente tem o problema e a solução que vemos hoje é essa articulação com a Defensoria Pública do estado, que, com certeza, reconhecerá como legítima a organização de vocês e as demandas que vocês apresentam”, afirmou o coordenador para os pescadores durante a mobilização.

Após uma visita ao rio e a realização de uma assembleia, Rafael Portela, membro da Defensoria Pública do Espírito Santo ressaltou o apoio à comunidade e orientou os presentes a unirem a categoria. “Legitimidade você conquista, você não nasce com ela. Sendo pescadores, precisam conversar com os outros pescadores e acho que essa legitimidade se enraíza. Comitê, comissão, grupo de trabalho, o nome vocês escolhem. Mas, na pratica, é uma carta de compromisso assumida por aqueles que se propõem a contribuir na busca por soluções dos problemas coletivos. Uma reunião como esta e as demandas que vocês nos ofereceram são suficientes para a DPES atuar. Agora quanto mais unida for a comunidade menos problemas teremos lá na frente”, afirmou.

Após a mobilização, os pescadores presentes formaram um grupo de trabalho para acompanhar o caso junto à Defensoria e endereçar as demandas dos pescadores aos responsáveis.

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