MAB realiza I Encontro dos Atingidos de Aurizona (MA) para fazer balanço das ações realizadas

O Encontro, que contou com participação de diversas organizações parceiras, também tinha o objetivo de fortalecer a organização popular local a partir da experiência de atingidos de outras regiões do Brasil e da América Latina

O encontro aconteceu no Balneário do Cachimbo, no distrito de Aurizona, que fica na Amazônia Maranhense

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realizou na última quinta-feira (25), o I Encontro dos Atingidos (as) de Aurizona, distrito que fica em Godofredo Viana, na Amazônia Maranhense. O encontro aconteceu das 9h às 17h, no Balneário do Cachimbo.

A data do evento marcou os oito meses do rompimento da barragem Pirocaua, de responsabilidade da mineradora Equinox Gold no distrito. O objetivo era fazer um balanço dos resultados da luta coletiva dos atingidos pela reparação dos danos causados, assim como refletir sobre os próximos passos para a organização e luta popular.

Leia mais sobre o caso em:
Após seis meses do rompimento de barragem da Equinox Gold, distrito de Aurizona (MA) segue sem acesso à água potável


Estiveram presentes no encontro cerca de 60 pessoas, entre atingidos (as) por barragens, militantes e organizações parceiras do MAB, como a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras do Estado do Maranhão (FETAEMA), a Marcha Mundial de Mulheres, a Central Única dos Trabalhadores (CUT-MA) e o Comitê Cristão pelos Direitos Humanos na América Latina (CDHAL). Além disso, as organizações internacionais Earthworks e Miningwatch enviaram vídeos de solidariedade e apoio à luta dos atingidos de Aurizona.

O encontro aconteceu no Balneário do Cachimbo, no distrito de Aurizona, que fica na Amazônia Maranhense

De acordo com Luís Antônio Pedrosa, advogado e assessor jurídico da FETAEMA, esta região oriental do Maranhão se consolidou como uma nova oligarquia política nos últimos 20 anos. “Essa nova oligarquia surgiu por meio do saque ambiental vinculado à extração madeireira e à exploração de riquezas minerais. E há pelo menos 150 pedidos de lavras feitos nessa região à Agência Nacional de Mineração (ANM). Logo, esse modelo praticado em Aurizona vai expandir para outros territórios dessa região”.

Dalila Calisto, integrante da coordenação nacional do MAB, conta que, durante o encontro, foi possível aprofundar a análise sobre o modelo de mineração implementado no Brasil e no mundo e conhecer experiências de atingidos de Brumadinho (MG), atingidos pela mina Quirovilca, no Peru, e pela mina La Colorada, em Chalchihuites, no México. “A partir das experiências trocadas, foi possível dialogar sobre a necessidade de se construir um processo de organização e luta dos atingidos de Aurizona estrategicamente”, afirma.  

“Aqui, se você é contra a empresa de mineração você vai ser presa e lá você vai passar por tortura psicológica, você nunca mais vai conseguir um emprego (…). Então, o que nós podemos fazer contra uma empresa imensa dessa? O que nós temos e devemos fazer é nos unir”, ressalta Maria Valdiene, que é atingida de Aurizona.

“É insustentável esse modelo de desenvolvimento que não garante repartição alguma, que não garante uma cota justa dessa riqueza e só se apropria da maior parte da riqueza daqui e deixa atingidos, moradores do lugar, de fora”, complementa Pedrosa.  

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