Atingidos participam de audiência pública em Cachoeiras de Macau (RJ)

Moradores lutam por reparação para cerca de 300 famílias que tiveram suas propriedades rurais alagadas por rompimentos de diques da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro – CEDAE em janeiro deste ano

Durante sessão, moradores discutiram impactos de má gestão de sistema de captação de água na região

Na tarde de ontem, 12, atingidos do município de Cachoeiras de Macacu (RJ) participaram de uma Audiência Pública coordenada pelo vereador Professor Edigar Rosa da Silva para discutir os impactos do rompimento de diques do Rio Macau na região. Estiveram presentes integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB, que vivem nos assentamentos de Marubaí, Gleba G e São José da Boa Morte, que são afetados pelo sistema Imunana Laranjal, que capta água nos rios Guapiaçu e Macacu e distribui para os municípios de Itaboraí, São Gonçalo, Niterói, Maricá e Rio de Janeiro.

Durante a sessão, os participantes denunciaram as violações de direitos que vêm sofrendo ao longo dos anos por consequência da má gestão do poder público local e da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro – CEDAE, que não está cumprindo as condicionantes ambientais de operação no território.

De acordo com os moradores, o rompimento de diques é frequente na região devido ao assoreamento dos rios que nunca foram dragados pela CEDAE. Daniele do Nascimento, que é atingida e coordenadora do MAB, afirma que o governo do estado precisa apresentar uma solução para a situação que impacta consideravelmente a economia da região. “Vivemos em um importante polo de produção de alimentos no estado. Por isso, o alagamento das áreas agrícolas não prejudica somente as famílias que vivem dessa produção, mas faz com que os preços dos alimentos fiquem ainda mais caros para os consumidores da capital”, afirma.

Para o vereador Edgar Rosa da Silva, a Audiência Pública é uma ferramenta importante de aproximação entre o poder público e a população. “Na maioria das vezes, porém, os moradores ficam inibidos de falar. Por isso, a importância termos representantes da sociedade civil organizada, por meio dos sindicatos, associações e movimentos sociais, que são mediadores e interlocutores nesse diálogo,” afirmou o professor.

“Vejo essa audiência como o primeiro passo para possíveis soluções de problemas que vêm se arrastando há anos. Mais do que ficar na torcida, vamos trabalhar para que esses temas discutidos não sejam teoria, mas possamos garantir na prática”, complementou Edgar.

Na ocasião estiveram presentes representantes de diferentes entidades municipais e estaduais, além de membros do poder público local, da ouvidoria público do estado e da Defensoria Pública.

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