Prefeitura de Altamira aponta necessidade de retirar mais 56 imóveis da área da “Lagoa”

Laudo amplia número de imóveis considerados inviáveis de serem ligados ao sistema de saneamento e reconhece a responsabilidade da Norte Energia sobre a remoção das famílias

Moradores da área sofrem com inundações, rachaduras e proliferação de animais peçonhentos

Um estudo técnico realizado pela Prefeitura de Altamira apontou a necessidade de retirada de mais 56 imóveis da região da Lagoa do bairro Jardim Independente I em Altamira (PA). Esse estudo amplia o número de famílias que devem ser removidas pela Norte Energia, concessionária de Belo Monte. Para os moradores do local, trata-se de uma conquista, pois as famílias estão em luta pelo reconhecimento como atingidas por Belo Monte.
O anúncio foi feito durante audiência pública na Casa de Cultura de Altamira, na noite de quarta-feira (22). A audiência, solicitada pelos próprios moradores, contou com a presença do prefeito municipal, Claudomiro Gomes.

Entenda o caso

Após anos de luta junto ao Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Ibama reconheceu a responsabilidade da Norte Energia sobre a situação das famílias da Lagoa e determinou a remoção de todos os moradores que viviam em casas de palafitas e os que moravam em terra firme, no entorno, mas com impossibilidade de ligação à rede de esgoto por gravidade.

Ao firmar um termo de compromisso com a Prefeitura, a Norte Energia aceitou remover 493 famílias das palafitas e mais 102 do entorno. No entanto, restaram 364 famílias cadastradas pela empresa que não receberam nenhum tipo de tratamento.

Jackson Dias durante audiência pública na Casa de Cultura de Altamira

Entre os problemas relatados pelas famílias que permaneceram no local estão alagamentos constantes, rachaduras nas paredes, insegurança devido ao isolamento das casas com a mudança dos vizinhos, proliferação de animais peçonhentos e retorno do esgoto para dentro das casas. Por isso, muitas estão em luta pelo direito à remoção e indenização ou reassentamento.

Das famílias sobrantes, um laudo técnico da própria Norte Energia apontou a inviabilidade de ligação ao sistema de saneamento de 79 imóveis. O estudo feito pela Prefeitura adiciona 56 imóveis a esta conta. “Essa conquista é fundamental. No entanto, nada garante que a Norte Energia vai retirar essas famílias. Por isso, continuamos em luta, até que todos tenham seus direitos reconhecidos”, afirma Jackson Dias, da coordenação do MAB.

Conteúdos relacionados
| Publicado 03/07/2020 por Movimento dos Atingidos por Barragens

Trabalhadores conquistam continuidade na isenção da Tarifa Social de Energia

Governo Federal anuncia a prorrogação da Medida Provisória 950/20 por mais 60 dias

| Publicado 11/06/2020

Atingidos distribuem mais de 500 cestas básicas no Amapá



O MAB no Amapá vem organizando as comunidades atingidas e lutando por reconhecimento de direitos e compensações, pelas mortes de peixes consequências dos empreendimentos hidrelétricos no rio Araguari, no município de Ferreira Gomes

| Publicado 11/06/2020

Lutar não é crime: atingidos e atingidas em defesa dos direitos humanos!

Decisão obtida pela Vale determina proibição de manifestações nas vias de acesso à Brumadinho

| Publicado 28/07/2021 por Coletivo Nacional de Comunicação do MAB

MAB cobra do governador do Pará a política estadual de direitos dos atingidos

Diálogo aconteceu durante reunião dos movimentos sociais da região Xingu com o governador Helder Barbalho em Altamira (PA)

| Publicado 20/05/2021 por Coletivo de Comunicação MAB MA

Em reunião com a SSP do Maranhão, MAB trata de violação dos direitos dos atingidos do Aurizona

Após prisão arbitrária de manifestantes e diversas violações de direitos humanos, atingidos do Aurizona participam de reunião com SSP e OAB do Maranhão. No encontro, entidades se comprometem a buscar uma solução para a situação da comunidade impactada pelo rompimento da barragem Equinox Gold

| Publicado 22/06/2020 por Leonardo Fernandes / Comunicação MAB

Atingidas na Amazônia denunciam ameaças para relatora da ONU

Mary Lawlor, relatora da Organização das Nações Unidas, ouviu defensoras dos direitos humanos militantes do MAB que estão ameaçadas por grandes empreendimentos na Amazônia