Vale recorre à Justiça e alega que indenização das vítimas do crime de Brumadinho é “absurda”

Para o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Vale demonstra negligência ao se recusar a pagar indenização determinada pela Justiça do Trabalho.

A mineradora Vale S/A mais uma vez coloca o lucro acima da vida. Nesta segunda-feira (5), a empresa recorreu da decisão judicial que a condenou a pagar R$ 1 milhão por danos morais para a família de cada trabalhador morto no rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), em janeiro de 2019. A mineradora alega no Tribunal Regional do Trabalho da 3ª região Betim (MG) que o valor é “absurdo” e causa prejuízos à empresa.  

Ato de um mês do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão em Brumadinho-MG. Foto: Joka Madruga/MAB



Para o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a recusa de pagamento da Vale demonstra a negligencia da companhia em reparar, de forma justa, os danos causados por ela. “Mais uma vez, vemos que a insensibilidade da empresa é revelada em uma ação judicial. A Vale defende seu lucro, com ganância”, analisa Joceli Andrioli, da coordenação nacional do MAB.

Na decisão da primeira instância, o valor seria pago aos familiares dos cento e trinta e um trabalhadores diretos da Vale. A ação impetrada foi do Sindicato Metabase Brumadinho e não abarcava os trabalhadores indiretos. A mineradora pede no recurso que vinte e um dos trabalhadores sejam retirados da ação, pois não compunham o sindicato, além dos familiares que já fizeram acordos individuais com a Vale.

“É lamentável este recurso: um desrespeito com os familiares que causa ainda mais sofrimento a todos. Há dois anos, eles estão sofrendo com a perda dos entes queridos. E agora dobra o sofrimento na luta para que haja, de fato, justiça para este crime cometido pela Vale, que, a todo momento, quer se safar”, enfatiza Andrioli.

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