Nota | Água é um direito: somos contra a privatização da empresa CORSAN, no RS

Para avançar com a privatização, o poder legislativo quer aprovar nesta terça-feira (27), na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, a PEC 280/2020, que retira a obrigatoriedade do plebiscito popular para venda das estatais

O Movimento dos Atingidos por Barragens no Rio Grande do Sul denuncia a ofensiva privatista do governo de Eduardo Leite sobre a Companhia Riograndense de Saneamento – CORSAN, uma empresa pública, eficiente e que pertence ao povo gaúcho. Leite, aliado ao governo Bolsonaro, quer entregar nas mãos das transnacionais e do capital financeiro patrimônios públicos essenciais.

Para avançar com a privatização, o poder legislativo quer aprovar nesta terça-feira (27), na Assembleia Legislativa (ALRS), a PEC 280/2020, que retira a obrigatoriedade do plebiscito popular para venda das estatais CORSAN, Banrisul e Procergs.

Tal manobra demonstra o autoritarismo do governo estadual, em negar o direito do povo gaúcho de opinar sobre o destino do RS. Eduardo Leite, mais uma vez, foge do debate junto à população, como já ocorrido com a escandalosa privatização da CEEE-D.

Em meio à pior crise sanitária e econômica já enfrentada na história mundial, os governos federal e estadual aproveitam da imensa fragilidade da população para privatizar as empresas públicas estratégicas que desenvolvem um papel social fundamental.

Denunciamos as atrocidades cometidas contra o povo gaúcho, em um momento onde a prioridade deveria ser o combate à Covid-19, investimentos no Sistema Único de Saúde e auxilio emergencial para que as pessoas possam dignamente permanecerem em suas casas.

Sabemos que essa ofensiva tem como objetivo privilegiar os já privilegiados representantes de grandes grupos econômicos, colaborando para a criação de um mercado mundial da água, com intuito de extrair grandiosos lucros. Para isso, os governos e as transnacionais precisam privar a população do acesso, que é um direto básico e comum, para que então a água seja transformada em uma valiosa mercadoria.

A iniciativa privada quer o controle político e econômico das águas, desde a nascente até a torneira, além de privar e cobrar abusivas tarifas e nós, enquanto nação, vimos a destruição da soberania do nacional, com a entrega de nossas bases naturais e empresas estatais.

Nós, do MAB, somos contra a privatização da água e do saneamento básico, pois entendemos que a água não pode ter dono. Ela pertence ao povo e por ele deve ser controlada e cuidada para satisfazer as suas necessidades.

Por isso, afirmamos que nosso projeto deve apostar na criação heroica do povo, pela plena participação, organização e luta, confiando no protagonismo dos povos para construir seu próprio destino. Assim, convocamos todos e todas a lutar pela garantia plena de participação popular nas decisões que afetam a vida dos gaúchos e gaúchas, unindo forças em defesa da CORSAN pública e a serviço do povo.

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