“É um ataque de Leite e Bolsonaro contra o povo gaúcho”, afirma MAB sobre venda da CEEE

A venda da CEEE vai impactar o povo gaúcho com aumentos abusivos nas contas de luz e risco de apagões, e deve prejudicar a retomada da economia no pós-pandemia

Foto: Fernando Vieira / CEEE

Na manhã desta quarta-feira (31), infelizmente, foi consolidado um escandaloso processo de privatização, entreguismo, pilhagem e ataque ao povo gaúcho. Os governos Leite e Bolsonaro, sem nenhum diálogo com a população, leiloaram a preço de banana (R$ 100 mil) a Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica (CEEE-D) que vale bilhões de reais.

Em lance único, a Equatorial Energia, responsável por péssimos serviços e por apagões na região nordeste do país, se torna a nova dona da CEEE.

Com a venda, Leite e Bolsonaro decretam uma série consequências para o Estado e para a população do Rio Grande do Sul, como:

  • Aumento das tarifas de energia elétrica para as famílias gaúchas pelos próximos 30 anos (tempo de duração dos novos contratos). Atualmente, a CEEE vende, em média, R$ 60 para cada 1 mil quilowatt/hora (kW/h). Com a privatização, o preço será alterado e a energia será vendida pelo preço de mercado, que gira em torno de R$ 300 para cada 1 mil kW/h. Afetando assim consumidores residenciais, pequenos e médios comerciantes, agricultores e as pequenas e médias indústrias; 
  • O aumento da energia, item essencial nos processos produtivos e serviços, prejudicará a retomada da economia e a geração de empregos no período pós-pandemia. Sendo uma medida na contramão do que é necessário fazer para que nosso povo não seja mais submetido à situação de miséria ou desemprego;
  • Risco de apagões no Rio Grande do Sul. O recente caso de apagão que deixou o Amapá mais de 20 dias sem luz é um claro demonstrativo das consequências da privatização e o descaso das empresas privadas do setor elétrico com a população. Trata-se de uma tendência em locais com o setor elétrico privatizado, pois as empresas buscando apenas lucro, não realizam investimentos nas suas estruturas. Inclusive, a compradora, a Equatorial Energia, é também responsável por apagões na região nordeste do país;
  • Perda de um patrimônio público estratégico e da nossa soberania energética. Isso significa que a CEEE passa a estar nas mãos de grupos estrangeiros e multinacionais, que decidirão o quanto, como e onde realizar investimentos tão necessários ao desenvolvimento do nosso estado;
  • Sob iniciativa privada não se contratará novos trabalhadores e os atuais estarão em risco de demissão e terceirização. A privatização submeterá os atuais trabalhadores da CEEE à situação de desemprego no meio de uma pandemia;
  • Perda para prefeituras e municípios que não receberão as dívidas acumuladas de ICMS. As gestões da CEEE, nomeadas durante os governos Leite e Sartori, optaram em deixar de pagar suas obrigações tributárias. Ato criminoso, pois além de lesar os cofres públicos, teve a intenção de tornar a CEEE, a maior devedora de ICMS do estado, com o objetivo de desmoralizar a empresa perante a opinião pública e facilitar o discurso da privatização. 

Os governos Leite e Bolsonaro, ao invés de privatizar a CEEE, deveriam colocar esta empresa a serviço do povo gaúcho, fornecendo energia elétrica a preço justo para toda a população e gratuitamente a todas às famílias de baixa renda, com a isenção das contas de luz enquanto durar a pandemia. É isso que se esperava de governos e de empresas públicas neste momento em que o povo sofre com situações de pandemia, fome e miséria.

Infelizmente, este processo de privatização da CEEE, é um verdadeiro saque e pilhagem do patrimônio público e irá penalizar ainda mais a população.

Para o Movimento dos Atingidos por Barragens, o povo gaúcho não pode aceitar tamanha agressão. É necessário um amplo processo de resistência e de luta de todos para derrotar até o fim e a fundo essa política entreguista de Leite e Bolsonaro e construir uma alternativa melhor, com soberania, distribuição da riqueza e controle popular.

Seguiremos em resistência contra todos os ataques dos vendilhões Leite e Bolsonaro, que privatizaram a CEEE e buscam seguir entregando o que é do povo, como a CORSAN, o Banrisul, a Petrobras e a Eletrobras.

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