Ensino a distância no Vale do Jequitinhonha exclui estudantes da área rural

Jovens estudantes têm relatado a dificuldade do aprendizado e de acordo com as professoras, muitos estão desistindo dos estudos

O governo de Minas Gerais têm orientado as escolas do Vale do Jequitinhonha sobre as aulas não presenciais, com a produção de apostilas para os alunos durante a pandemia. As apostilas são desenvolvidas pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) e enviadas às escolas como Planos de Estudos Tutorados (PETs). De acordo com as secretarias de educação dos municípios, as apostilas não conseguem atender as necessidades dos alunos, pois além de não ser presencial, não contam com a explicação dos conteúdos da base curricular.

A precariedade no sistema educacional já vem acontecendo há muito tempo. Relatos dos atingidos por barragens da região destacam a má qualidade dos transportes escolares e principalmente a superlotação das salas de aulas. De acordo com Fabiana Esteves, moradora de Chapada do Norte no Alto Jequitinhonha e mãe de dois alunos da Escola Estadual João Figueiredo, o descaso é também com o ensino das crianças. “Antes da pandemia tínhamos que aceitar nossos filhos com aprendizado afetado, porque o governo juntava duas ou até três turmas numa sala de aula com um professor, aplicando o mesmo ensino para todos eles” afirmou. 

Fabiana também relatou a dificuldade dos alunos da educação infantil e do ensino fundamental de desenvolverem as atividades escolares em casa, com o acompanhamento dos pais. “Há uma grande dificuldade dos pais e mães de estarem com as crianças nesse ensino, porque eles estão trabalhando ou executando as atividades rotineiras, e na maioria das vezes utilizam justamente os momentos que os filhos estão na escola para executarem essas tarefas” afirmou. 

Ainda de acordo com Fabiana as mães são as mais afetadas, porque além das responsabilidades com os filhos elas têm também as tarefas domésticas, enquanto o marido exerce o trabalho, na maioria das vezes fora de casa; no campo. 

A dificuldade de ensino com os alunos que residem na zona rural é uma das principais questões. A maioria deles não têm acesso à internet para acompanhar os conteúdos oferecidos na aula remota. Além disso, também não está sendo disponibilizado o transporte escolar para que os alunos possam ir até a escola buscar as apostilas. 

O Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB acredita que o ensino ofertado pelo governo do estado deve cada vez mais apoio e responsabilidade com os alunos, principalmente com o ensino no campo. O ensino a distância está proporcionando uma defasagem de nível de conhecimento dos alunos, e a participação da escola, dos alunos e dos pais nesse processo é importante para a reformulação e atenção do ensino a todos. 

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