Dilma Ferreira Silva, liderança do MAB, é assassinada em assentamento no Pará

Com outras duas vítimas, crime ocorreu na zona rural do município de Baião; Comissão de Direitos Humanos da Câmara cobra agilidade na apuração Nesta sexta-feira (22), o Movimento dos Atingidos […]

Com outras duas vítimas, crime ocorreu na zona rural do município de Baião; Comissão de Direitos Humanos da Câmara cobra agilidade na apuração

Nesta sexta-feira (22), o Movimento dos Atingidos por Barragens vive um momento de dor e revolta. A integrante da coordenação regional do movimento, em Tucuruí, Dilma Ferreira Silva foi assassinada no Assentamento Salvador Allende, que fica no km 50 da BR-422 conhecida como Transcametá, no município de Baião, no Pará.

Devido à difícil localização da área, as informações ainda são preliminares. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do estado, há também outras duas vítimas assassinadas junto com a liderança do MAB – dois homens, sendo um deles o companheiro de Dilma.

A atuação de Dilma  


A família de Dilma, residente da zona rural, foi atingida pela construção da usina hidrelétrica de Tucuruí, que começou a ser construída ainda no período da ditadura militar, em 1974. Dilma viu sua cidade ser alagada com a abertura das comportas, e vivenciou o descaso total no processo de reparação. Após 30 anos desde o começo da obra, não houve nenhuma compensação aos atingidos.  

Integrante da luta do MAB desde 2005, Dilma atuou na coordenação do movimento. Em 2011, participou de audiência com a então presidenta da República Dilma Rousseff na entrega de um documento que reivindicou uma política nacional de direitos para os atingidos por barragens e atenção especial às mulheres atingidas.

“O que nos dá força é o movimento, é a luta para não deixar que aconteça com os outros”, explicou Dilma, ao ser questionada sobre o motivo que a fez entrar no Movimento dos Atingidos por Barragens em entrevista para o portal Amazônia, na ocasião da luta em Brasília com a realização do Encontro Nacional das Mulheres do MAB em 2011.

No encontro, Dilma Ferreira denunciou as violações dos direitos humanos na construção da barragem de Tucuruí; segundo a militante, a empresa prometeu desenvolvimento para a comunidade, mas o que houve foram inúmeros casos de prostituição, perda de terras, muitos acidentes e doenças – males estes nunca reparados.  

Como consequência de sucessivas violações de direitos, Dilma entrou para a luta. Por ser vítima de remoção e falta de moradia, estava em um assentamento de terra, localizado na zona rural do município de Baião.

Sobre o assentamento

De acordo com a CPT, Comissão Pastoral da Terra, em 2007, aproximadamente 480 famílias ligadas aos movimentos da Vía Campesina ocuparam a Fazenda Piratininga. Em 2011, cerca de 50 famílias da ocupação acamparam na Praça do Mogno, em Tucuruí, para reivindicar o assentamento na área. Nesse mesmo ano, os sem-terra sofreram uma reintegração de posse. Depois da saída das famílias, o INCRA começou a medição dos lotes.

A Polícia Civil do Pará está na região, dando início às investigações do crime que vitimou Dilma. Caso seja confirmada a motivação do crime em decorrência de conflito agrário, será acionada a Deca, Delegacia de Conflitos Agrários.

Comissão de Direitos Humanos da Câmara cobra apuração

Logo após receber a denúncia, o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM), Helder Salomão (PT/ES) solicitou providências ao governador do Pará, Helder Barbalho ao  secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, Ualame Machado e para o procurador-geral de Justiça, Gilberto Martins.

No documento, o presidente da CDHM pede agilidade na adoção das medidas cabíveis para apurar o crime e identificar os responsáveis. Solicita também que a CDHM seja informada quais providências foram tomadas.

“A nossa Comissão tem a atribuição de receber, avaliar e investigar as denúncias relativas a qualquer ameaça ou violação de direitos humanos. Além disso, o assassinato de defensores de direitos humanos é uma grave violação dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil na Assembleia Geral das Nações Unidas”, explica do deputado.

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