Audiência do MAB com Lula revela divergências na política energética e avança no tratamento das questões sociais

Na tarde de ontem (04/02), representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) foram recebidos pelo Presidente Lula, em Brasília. Na audiência o MAB entregou uma carta ao presidente, na […]

Na tarde de ontem (04/02), representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) foram recebidos pelo Presidente Lula, em Brasília. Na audiência o MAB entregou uma carta ao presidente, na qual reforçou sua posição contrária à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e criticou a atual posição do governo quanto ao setor elétrico, que entrega para empresas privadas o controle da geração, transmissão e distribuição de energia.

O MAB solicitou ainda que seja feita uma séria revisão nos altos preços das tarifas de energia elétrica e que sejam criados mecanismos para que as empresas que se apropriaram indevidamente de mais de 10 bilhões de reais nos últimos 10 anos devolvam estes recursos na forma de investimentos coletivos necessários aos municípios. Além disso, os representantes também citaram o aumento da violência e da criminalização contra as lideranças do MAB e demais movimentos sociais.

O presidente manifestou que nem todos os pontos apresentados são convergentes entre o MAB e o governo, no entanto reconheceu novamente a dívida do Estado brasileiro com os atingidos por barragens e afirmou a necessidade das pessoas terem as condições necessárias para viver com dignidade. Para Lula é preciso estabelecer normas para o reconhecimento das famílias como atingidas por barragens. Ele considerou a audiência de ontem como o primeiro encontro com o MAB e que novas reuniões deverão acontecer depois de reunir os ministérios para formalizar as solicitações do Movimento.

Na reunião o governo entregou respostas à algumas pautas de reivindicação do MAB, dentre elas a que garante que os atingidos terão prioridade em uma série de programas governamentais já existentes.

Na opinião dos coordenadores do MAB, a audiências explicitou que existem divergências entre o Movimento e o governo quando se trata da construção de barragens e outros pontos da política energética nacional. Por outro lado, reconhecem a sensibilidade que o governo está tendo ao acatar inúmeras sugestões para o tratamento da área social.  “Mesmo com sinalizações positivas nas questões sociais, o MAB entende que a principal tarefa do Movimento é fortalecer a organização e fazer a luta para garantir todos os direitos do povo atingido”, afirmou Josivaldo de Oliveira, da coordenação nacional do MAB.

Na oportunidade da audiência o MAB, em nome da Via Campesina, também entregou ao presidente uma carta que solicita inúmeras providencias para auxiliar o povo do Haiti que foi assolado por um forte terremoto há poucos dias. Lula garantiu que vai encaminhar os pedidos feitos e irá pessoalmente ao Haiti nos próximos dias para acompanhar as políticas que estão sendo desenvolvidas naquele país.

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