Luta e Resitência
Documento
Metadados
Título da Arpillera
Luta e Resitência
Descrição
Esta arpillera denuncia a contínua violação de direitos vivida pelas comunidades atingidas por barragens. A peça questiona os impactos ambientais, sociais e psicológicos provocados por essas construções, além da falta de transparência nos critérios que definem sua localização e o escoamento das águas, em caso de rompimentos ou o fechamento das comportas. E, principalmente, retrata a resistência e a força das mulheres atingidas, que permanecem na linha de frente da luta, enfrentando o descaso e a constante negação de direitos fundamentais. Unidas e organizadas, elas resistem, reconstruindo suas vidas e fortalecendo os laços comunitários. A arpillera reafirma a luta por dignidade, justiça social, segurança e liberdade.
Data
junho 1, 2024
Autoras
Mulheres Atingidas na oficina do SESC Santo André – São Paulo
Cartinha
Todas e todos têm direitos à vida, à liberdade e à segurança pessoal. É o que diz o artigo 3° da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Que bom seria se esses direitos fossem aplicados na prática. Vamos afunilar a aplicação desses dizeres para que a nossa indignação não se resume à vida-respirar, liberdade- não estar enjaulado e segurança- a não ser sequestrado.
Perdoe-nos pela ironia nesses termos, mas a indignação é grande.
Basta pesquisar um pouco para saber que barragens existem desde o início da civilização, entendemos a importância dessas construções. Até aqui, tudo bem.
Mas, e quanto aos impactos ao meio ambiente, as casas, as terras, as plantações e os impactos psicológicos na vida das populações atingidas ao longo do tempo?
Estas mesmas obras depois de construídas, sabemos que há um desgaste, falta de manutenção, risco de rompimento e, com isso, o risco à vida das pessoas e comunidades que vivem - nada tranquilas - nos arredores dessas estruturas. Quando chove, o volume que cada barragem suporta avança e vai para onde? Alguma ideia? Nós sabemos! Vai para as casas que moram nas redondezas, quase sempre, de pessoas mais pobres, para agravar o contexto.
Antes disso, o que determina que tal barragem deve-precisa ser levantada naquele espaço específico e não em outra localidade? Quais os critérios, esses estão claros para as pessoas que já habitam naquelas nesses bairros, até então em harmonia? ELES decidem e fazem, se algo "atrapalha" a construção, é só tirar os empecilhos (vidas) e seguir.
Voltemos aos direitos? Com esse discurso, perderam o seu valor, não é mesmo? Pra ELES pode ser, mas não para nós MULHERES ATINGIDAS.
Nós resistimos e lutamos pelo direito. Se é direito, tá na lei, não deveria ser violado, não precisaria lutar para tê-lo. Simples assim, mas - que volte a indignação nessa escrita!
Nós nos organizamos, construímos e reconstruímos nossas casas, em cada enchente, nossa relação comunitária se fortalece. Destinamos tempo não só para nós, mas para todo o universo de pessoas, que assim como nós assumem o direito, lutam e buscam a dignidade para poder viver seguras onde escolhemos viver.
Mulheres, água e energia não são mercadorias!
Avante Movimento dos Atingidos por Barragens!
Fotógrafo/a
Clara Fernandes Oblack
Localização
Seretaria Nacional
Dimensões
51x45 cm
Bloco
Tecendo a Organização
Anexos
