Integrante da coordenação nacional do MAB destaca o papel das Brigadas de Agitação e Propaganda no diálogo direto com a população para enfrentar o projeto da direita e defender direitos
Publicado 30/07/2026

Em um cenário marcado pela intensificação das disputas geopolíticas e pela ascensão de forças conservadoras, os movimentos populares brasileiros articulam novas estratégias de mobilização social. No centro dessa movimentação estão as Brigadas de Agitação e Propaganda. A iniciativa busca consolidar uma unidade territorial capaz de enfrentar o neofascismo e pautar o debate público a partir das necessidades da classe trabalhadora, conectando as lutas locais ao projeto de reconstrução nacional.
A estrutura das brigadas se dá na combinação entre o diálogo direto nas comunidades e a disputa de narrativas no ambiente digital, alcançando atualmente mais de seis mil voluntários organizados em dezenas de movimentos. Utilizando métodos que vão da panfletagem até intervenções artísticas e culturais, o projeto visa furar bolhas informativas e converter a militância individual em uma força política coletiva. Essa metodologia de trabalho de base é vista como essencial para reconectar as pautas do dia a dia da população a um projeto político de nação, garantindo que a base social atue como sujeito ativo na disputa eleitoral.

Entre os eixos centrais que orientam as ações das brigadas, destacam-se a defesa da soberania popular, a proteção dos direitos sociais e o enfrentamento à crise climática. Para o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), debater a transição energética e a segurança das populações vulneráveis é indissociável da luta pela democracia. Nesse contexto, a reeleição do presidente Lula é apresentada não apenas como um objetivo eleitoral, mas como uma condição necessária para garantir a autonomia do Brasil frente a pressões externas e interesses imperialistas que ameaçam os recursos naturais e a soberania do país.
Para detalhar o funcionamento das brigadas e os desafios da militância no atual momento político, conversamos com Liciane Maria Andrioli, integrante da coordenação nacional do MAB. Nesta entrevista, ela explica como o movimento pretende enraizar a conscientização popular nos territórios e qual o papel de cada militante na linha de frente do combate ao fascismo. Liciane reforça a urgência da organização popular como ferramenta de prevenção e defesa dos direitos.
O que são as Brigadas de Agitação e Propaganda do MAB e com qual propósito central elas nascem?
Liciane Andrioli: As Brigadas de Agitação e Propaganda do movimento são compostas por um grupo de pessoas militantes que se mobilizam e vão às ruas para dialogar com a população sobre diversos temas. Nascem com o propósito de fortalecer o debate político com a sociedade, apostando no contato humano direto para convencer e engajar as pessoas no combate do avanço de forças conservadoras ou de extrema-direita em períodos eleitorais e de mobilização social em defesa da democracia, da soberania e dos direitos dos trabalhadores.
Como essas brigadas atuam no dia a dia? Quais são os métodos práticos usados para conversar com a população nas comunidades e nas redes sociais?
Liciane Andrioli: Elas atuam organizando pequenos grupos de militantes nos territórios estratégicos para as organizações atuarem, articulando o trabalho de base presencial nas ruas com a disputa dos discursos nas redes. Elas visitam as pessoas de porta a porta, em suas casas, para dialogar e entregar materiais, sendo panfletos, jornais, adesivos.
Realizam rodas de conversa e reuniões de formação, distribuição de materiais através de panfletagens, intervenções artísticas com música, teatro, colagens de lambe lambe e estêncil para transmitir as mensagens de forma lúdica e mais participativas. Todas estas ações também repercutem nas redes sociais para ampliar e potencializar o diálogo.
Qual a importância da militância estar engajada com as brigadas neste momento político que passamos atualmente?
Diante da conjuntura atual de fortalecimento do fascismo no mundo e dos ataques na soberania brasileira, a atuação das brigadas coordenada nos territórios assume um papel central e fundamental. Pois elas cumprem um papel de informar a população, de disputar o imaginário popular na defesa dos direitos e de fortalecimento do trabalho de base popular.
Qual é o papel direto de cada militante na linha de frente para furar bolhas?
Liciane Andrioli: É se preparar e realizar o diálogo corpo a corpo com a população, uma escuta ativa das pautas, transformando ações isoladas em mobilização social unificada, o mais amplo e organizado possível.
Quais são os temas centrais que devem ser traduzidos pelas brigadas e conversados com a população? E por que eles são importantes neste momento?
Liciane Andrioli: Entre os temas centrais estão: soberania popular, democracia, crise climática, transição energética, direitos da população, entre outros. Neste momento, o Brasil está sob ataque dos Estados Unidos, de um projeto fascista de dominação do mundo.
Então, é bastante importante a gente fazer esse debate da soberania popular e da democracia. É essencial para garantir o poder de decisão do Brasil sobre o nosso país. O Brasil é dos brasileiros, e esse poder de decisão sobre a nossa soberania tem que ser do povo brasileiro, e não de pressões externas ou interesse de grupos fascistas, imperialistas.
A população tem de dominar esse tema e defender o nosso país sob esse ataque de grupos externos, sobretudo de grupos de extrema-direita e fascistas no mundo. Debater a soberania hoje é debater a autonomia da nação, do país, sem ter interferências estrangeiras. É nessa perspectiva da defesa e de ampliar esse debate da soberania popular e da democracia em nosso país.

O tema da crise energética é de suma importância também debater neste momento. Temos visto aí todas as notícias, os cientistas alertando o país do super El Niño neste período. Todo o agravamento da crise climática do nosso país agrava cada vez mais a vida da população.
Então, vamos ter cada vez mais enchentes intensificadas, calores intensos, vendavais, temporais, que afetam diretamente a vida da população, sobretudo os atingidos e as atingidas que sofrem e perdem suas casas, perdem seus móveis, seus documentos, suas memórias através das fotos e documentos, entre outros itens de pertences pessoais. Muitas enchentes e vendavais destroem tudo, escolas, igrejas e centros comunitários, por exemplo.
É de suma importância fazer esse debate com a população do ponto de vista de exigir os direitos, de garantir em nosso país uma política de segurança e proteção dessa população atingida. A população atingida tem que ter participação popular nas decisões, tem que ter acesso às informações das áreas de risco, onde estão essas áreas de risco, qual o nível de risco e que situação de prevenção elas podem estar adquirindo.
Por exemplo, uma pauta do MAB é de constituímos grupos de brigadistas ligados aos movimentos populares, ao movimento nos territórios. Estes brigadistas seriam a própria população que mora ali e conhece o território, podem estar passando por um processo de formação e eles auxiliam a população através das informações. Então, é uma importante ação de prevenção e organização popular dessas áreas atingidas.
Precisamos ampliar esse debate e a conscientização da população para cada vez mais o povo se preparar para essas emergências climáticas que estão acontecendo cada vez mais fortes em nosso país.
De que forma as Brigadas deste ano irão se diferenciar das eleições passadas?
Eu acho que um elemento diferente é um processo mais enraizado nacionalmente, uma maior apropriação dessa metodologia em mais territórios e sendo apropriada de forma mais coletiva entre os movimentos e organizações que compõem as Brigadas de Agitação e Propaganda este ano. Eu acho que outro elemento, em relação aos anos anteriores, é a importância da reeleição do presidente Lula. Então, acredito que vai haver um maior ânimo para as ruas do ponto de vista do enfrentamento direto ao neofascismo nas ruas.
Esse é um diferencial que a gente enfrenta este ano, nesta irradiação e fortalecimento também do neofascismo presente e mais iminente nas ruas. A militância vai para a rua com uma maior dedicação, entendendo essa importância de reeleger Lula presidente novamente.