Integrante da coordenação nacional do MAB destaca o papel das Brigadas de Agitação e Propaganda no diálogo direto com a população para enfrentar o projeto da direita e defender direitos

Liciane Andrioli, da coordenação nacional do MAB. Foto: Elieudo Meira (Chokito)
Liciane Andrioli, da coordenação nacional do MAB. Foto: Elieudo Meira (Chokito)

Em um cenário marcado pela intensificação das disputas geopolíticas e pela ascensão de forças conservadoras, os movimentos populares brasileiros articulam novas estratégias de mobilização social. No centro dessa movimentação estão as Brigadas de Agitação e Propaganda. A iniciativa busca consolidar uma unidade territorial capaz de enfrentar o neofascismo e pautar o debate público a partir das necessidades da classe trabalhadora, conectando as lutas locais ao projeto de reconstrução nacional.

A estrutura das brigadas se dá na combinação entre o diálogo direto nas comunidades e a disputa de narrativas no ambiente digital, alcançando atualmente mais de seis mil voluntários organizados em dezenas de movimentos. Utilizando métodos que vão da panfletagem até intervenções artísticas e culturais, o projeto visa furar bolhas informativas e converter a militância individual em uma força política coletiva. Essa metodologia de trabalho de base é vista como essencial para reconectar as pautas do dia a dia da população a um projeto político de nação, garantindo que a base social atue como sujeito ativo na disputa eleitoral.

Brigada de Agitação em Propaganda na campanha eleitoral de 2022 em São Paulo. Foto: Fernanda Correia / MAB
Brigada de Agitação em Propaganda na campanha eleitoral de 2022 em São Paulo. Foto: Fernanda Correia / MAB

Entre os eixos centrais que orientam as ações das brigadas, destacam-se a defesa da soberania popular, a proteção dos direitos sociais e o enfrentamento à crise climática. Para o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), debater a transição energética e a segurança das populações vulneráveis é indissociável da luta pela democracia. Nesse contexto, a reeleição do presidente Lula é apresentada não apenas como um objetivo eleitoral, mas como uma condição necessária para garantir a autonomia do Brasil frente a pressões externas e interesses imperialistas que ameaçam os recursos naturais e a soberania do país.

Para detalhar o funcionamento das brigadas e os desafios da militância no atual momento político, conversamos com Liciane Maria Andrioli, integrante da coordenação nacional do MAB. Nesta entrevista, ela explica como o movimento pretende enraizar a conscientização popular nos territórios e qual o papel de cada militante na linha de frente do combate ao fascismo. Liciane reforça a urgência da organização popular como ferramenta de prevenção e defesa dos direitos.

Liciane Andrioli: As Brigadas de Agitação e Propaganda do movimento são compostas por um grupo de pessoas militantes que se mobilizam e vão às ruas para dialogar com a população sobre diversos temas. Nascem com o propósito de fortalecer o debate político com a sociedade, apostando no contato humano direto para convencer e engajar as pessoas no combate do avanço de forças conservadoras ou de extrema-direita em períodos eleitorais e de mobilização social em defesa da democracia, da soberania e dos direitos dos trabalhadores. 

Liciane Andrioli: Elas atuam organizando pequenos grupos de militantes nos territórios estratégicos para as organizações atuarem, articulando o trabalho de base presencial nas ruas com a disputa dos discursos nas redes. Elas visitam as pessoas de porta a porta, em suas casas, para dialogar e entregar materiais, sendo panfletos, jornais, adesivos.

Realizam rodas de conversa e reuniões de formação, distribuição de materiais através de panfletagens, intervenções artísticas com música, teatro, colagens de lambe lambe e estêncil para transmitir as mensagens de forma lúdica e mais participativas. Todas estas ações também repercutem nas redes sociais para ampliar e potencializar o diálogo. 

Diante da conjuntura atual de fortalecimento do fascismo no mundo e dos ataques na soberania brasileira, a atuação das brigadas coordenada nos territórios assume um papel central e fundamental. Pois elas cumprem um papel de informar a população, de disputar o imaginário popular na defesa dos direitos e de fortalecimento do trabalho de base popular. 

Liciane Andrioli: É se preparar e realizar o diálogo corpo a corpo com a população, uma escuta ativa das pautas, transformando ações isoladas em mobilização social unificada, o mais amplo e organizado possível. 

Liciane Andrioli: Entre os temas centrais estão: soberania popular, democracia, crise climática, transição energética, direitos da população, entre outros. Neste momento, o Brasil está sob ataque dos Estados Unidos, de um projeto fascista de dominação do mundo.

Então, é bastante importante a gente fazer esse debate da soberania popular e da democracia. É essencial para garantir o poder de decisão do Brasil sobre o nosso país. O Brasil é dos brasileiros, e esse poder de decisão sobre a nossa soberania tem que ser do povo brasileiro, e não de pressões externas ou interesse de grupos fascistas, imperialistas. 

A população tem de dominar esse tema e defender o nosso país sob esse ataque de grupos externos, sobretudo de grupos de extrema-direita e fascistas no mundo. Debater a soberania hoje é debater a autonomia da nação, do país, sem ter interferências estrangeiras. É nessa perspectiva da defesa e de ampliar esse debate da soberania popular e da democracia em nosso país. 

Formação política das Brigadas de Agitação e Propaganda realizada em junho, em São Paulo. Foto: Iza Conzi
Formação política das Brigadas de Agitação e Propaganda realizada em junho, em São Paulo. Foto: Iza Conzi

O tema da crise energética é de suma importância também debater neste momento. Temos visto aí todas as notícias, os cientistas alertando o país do super El Niño neste período. Todo o agravamento da crise climática do nosso país agrava cada vez mais a vida da população.

Então, vamos ter cada vez mais enchentes intensificadas, calores intensos, vendavais, temporais, que afetam diretamente a vida da população, sobretudo os atingidos e as atingidas que sofrem e perdem suas casas, perdem seus móveis, seus documentos, suas memórias através das fotos e documentos, entre outros itens de pertences pessoais. Muitas enchentes e vendavais destroem tudo, escolas, igrejas e centros comunitários, por exemplo.  

É de suma importância fazer esse debate com a população do ponto de vista de exigir os direitos, de garantir em nosso país uma política de segurança e proteção dessa população atingida. A população atingida tem que ter participação popular nas decisões, tem que ter acesso às informações das áreas de risco, onde estão essas áreas de risco, qual o nível de risco e que situação de prevenção elas podem estar adquirindo.

Por exemplo, uma pauta do MAB é de constituímos grupos de brigadistas ligados aos movimentos populares, ao movimento nos territórios. Estes brigadistas seriam a própria população que mora ali e conhece o território, podem estar passando por um processo de formação e eles auxiliam a população através das informações. Então, é uma importante ação de prevenção e organização popular dessas áreas atingidas.

Precisamos ampliar esse debate e a conscientização da população para cada vez mais o povo se preparar para essas emergências climáticas que estão acontecendo cada vez mais fortes em nosso país.

Eu acho que um elemento diferente é um processo mais enraizado nacionalmente, uma maior apropriação dessa metodologia em mais territórios e sendo apropriada de forma mais coletiva entre os movimentos e organizações que compõem as Brigadas de Agitação e Propaganda este ano. Eu acho que outro elemento, em relação aos anos anteriores, é a importância da reeleição do presidente Lula. Então, acredito que vai haver um maior ânimo para as ruas do ponto de vista do enfrentamento direto ao neofascismo nas ruas.

Esse é um diferencial que a gente enfrenta este ano, nesta irradiação e fortalecimento também do neofascismo presente e mais iminente nas ruas. A militância vai para a rua com uma maior dedicação, entendendo essa importância de reeleger Lula presidente novamente.