Ministra do Desenvolvimento Agrário assume compromisso da criação do Assentamento Edinaldo Palheta
A conquista é fruto de anos de mobilização das famílias atingidas por Belo Monte. Incra iniciou vistoria na área ocupada em Vitória do Xingu (PA)
Publicado 19/06/2026

As famílias atingidas pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte conquistaram um importante avanço na luta pelo direito à terra. Durante a programação do Projeto Jornada Sociocultural 50+50 da Transamazônica e BR-163, realizado nesta sexta-feira (19), em Altamira (PA), a Ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli, assumiu o compromisso da criação do Assentamento Edinaldo Palheta, após a conclusão da vistoria que está sendo realizada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na área ocupada pelas famílias em Vitória do Xingu, que iniciou na última quinta-feira (18). A expectativa é de que as atividades sejam concluídas em cerca de 20 dias.
O anúncio foi feito após questionamento apresentado por representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que reivindicaram uma resposta concreta para as mais de 280 famílias atingidas por Belo Monte que vivem na ocupação e que aguardam a destinação da terra para reforma agrária, para reconstruir suas vidas e ter o direito de produzir.

“Hoje eu vim aqui em Altamira e assumi o compromisso que nós vamos criar o assentamento Edinaldo Palheta, para atender a população do MAB, que foi atingida pelo empreendimento de Belo Monte, que está aguardando ser assentada para voltar a produzir.” afirmou Fernanda Machiaveli.
Durante a conversa, a ministra destacou que muitas famílias perderam suas condições de sustento após os impactos causados pela construção da hidrelétrica no rio Xingu.
“Eram pescadores e hoje não podem mais executar sua atividade tradicional de pesca, e agora vão se tornar assentados da reforma agrária nesse assentamento que eu vou voltar aqui para entregar”, afirmou.
A área que poderá se transformar no futuro Assentamento Edinaldo Palheta está passando por vistoria técnica do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que está acontecendo na Gleba Federal Tapará, área onde estão localizadas as Fazendas Farrara I, Farrara II e Rio Xingu, terra ocupada por centenas de famílias atingidas por Belo Monte em Vitória do Xingu (PA). O procedimento é uma etapa fundamental para avaliar as condições da área e subsidiar a destinação para a reforma agrária, sendo uma conquista de anos de mobilização e resistência das famílias atingidas que perderam seus meios de subsistência em decorrência dos impactos sofridos na pesca.
Para o movimento, a presença do Incra na área demonstra que a organização popular e a luta coletiva seguem produzindo resultados concretos. No entanto, o MAB reforça que a vistoria é apenas uma etapa do processo e que ainda são necessários novos encaminhamentos para garantir a consolidação definitiva do assentamento.
“O início da vistoria é um passo importante, mas seguimos mobilizados para que os próximos encaminhamentos sejam realizados o mais rápido possível, especialmente a criação da portaria que dará origem oficial ao assentamento. Nossa luta continua até que o assentamento Edinaldo Palheta seja efetivamente consolidado”, destacou Iury Paulino, da coordenação nacional do MAB.

As famílias da ocupação acompanharam a atividade e reafirmaram o compromisso de permanecerem organizadas na defesa de seus direitos. A expectativa é que os resultados da vistoria contribuam para acelerar os procedimentos necessários à criação oficial do assentamento, garantindo segurança e melhores condições de vida para as famílias que vivem e produzem no território.
Homenagem a uma liderança da luta pela terra
O futuro assentamento carrega o nome de Edinaldo Palheta, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) que se tornou uma das principais referências da luta pela terra na região de Vitória do Xingu (PA). A homenagem reconhece a trajetória de quem dedicou sua vida à organização das famílias agricultoras e atingidas por Belo Monte, que seguem reivindicando o direito de produzir e viver com dignidade.
Transformar a área em assentamento significa materializar uma luta construída ao longo de anos. Mais do que uma homenagem, a criação do Assentamento Edinaldo Palheta representa a continuidade de um sonho coletivo defendido por Naldo e por tantas outras famílias atingidas que nunca deixaram de acreditar na luta pela terra como instrumento de vida, trabalho e soberania alimentar.
Para o MAB, o compromisso assumido pela ministra representa mais um passo na luta pela reparação dos atingidos e pelo reconhecimento do direito das famílias de viver, produzir e permanecer em seus territórios.