Crise climática e soberania alimentar marcam debate sobre respostas às enchentes no Rio Grande do Sul
Dois anos após tragédia no estado, seminário reúne governo, universidade e movimentos sociais para discutir caminhos de reconstrução
Publicado 05/05/2026

A reconstrução do Rio Grande do Sul, após a enchente histórica de 2024, e a necessidade de preparar o estado para novos eventos extremos pautaram o seminário “Dois anos das enchentes: Para onde vamos?”. Parte do ciclo de debates “Que Futuro Queremos?”, o evento foi realizado nesta segunda-feira (04), na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com o objetivo de marcar os dois anos das enchentes que atingiram o estado entre abril e maio de 2024.
O evento contou com a participação, na mesa de abertura, do jornalista Luís Eduardo Gomes, do Sul21; da editora do Brasil de Fato RS, Katia Marko; da reitora da UFRGS, Márcia Barbosa; e do superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) no estado, Milton Bernardes. O encontro foi aberto com a leitura do poema “Ouço pingos de chuva”, de Lilian Rocha.
Na sequência, foi realizado o painel “As mudanças climáticas e a soberania alimentar”, que debateu experiências de movimentos sociais e entidades representativas da agricultura familiar na construção de alternativas agrícolas sustentáveis. Com mediação do ambientalista Leonardo Melgarejo, o painel contou com a participação de Álvaro Delatorre, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); Gerson Borges, do Movimento dos Pequenos e Pequenas Agricultoras (MPA); Alexania Rossato, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB); Sandra Christ, do Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD); e Luis Carlos Scapinelli, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetraf-RS).
Fechando o seminário, ocorreu o painel “Como a ciência está enfrentando as mudanças climáticas?”, que trouxe a perspectiva de pesquisadores sobre os desdobramentos das enchentes no estado nos últimos dois anos.
O ciclo de debates “Que Futuro Queremos?” teve início em 30 de março com o evento “O Novo Plano Diretor Respeita o Direito à Cidade?”, realizado em parceria com o Instituto dos Arquitetos do Brasil no Rio Grande do Sul (IAB-RS). Na ocasião, os debatedores apontaram que o Plano Diretor ,em discussão na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, ameaça o direito à cidade na capital por seu teor antidemocrático e privatista.

Recursos e reconstrução no RS
Milton Bernardes destacou que os sinais da crise climática já eram evidentes desde 2023, com desastres na bacia do Taquari-Antas. Para ele, houve falha na compreensão desses alertas: “Quando veio 2024, veio de uma forma que aconteceu o que aconteceu. E ainda sofremos até hoje, ainda temos muitas coisas para resolver”, afirmou.
Bernardes reforçou que a reconstrução exige atuação conjunta entre União, estado e municípios, com foco em mitigação e adaptação, diante da possibilidade de novos eventos climáticos, como um El Niño em 2026. “Esses efeitos estarão cada vez mais presentes. Precisamos pensar nossos modelos produtivos e investir na transição agroecológica”, pontou Milton.
O superintendente afirmou que o Rio Grande do Sul recebeu mais de R$ 110 bilhões para ações de reconstrução, como estradas e moradias: “Não tenho na minha história uma unidade federativa que tenha recebido tanto recurso como o Rio Grande do Sul”, declarou.
Entre as medidas citadas, está a criação da Secretaria Extraordinária de Reconstrução do RS, coordenada pelo governo federal, além da instalação de uma governança específica no Vale do Taquari ainda em 2023. Bernardes também mencionou a atuação de uma comissão especial, criada em 2024, para renegociação de dívidas de agricultores familiares.
De acordo com ele, a iniciativa envolveu cerca de 80 mil agricultores e resultou em mais de 140 mil operações de renegociação, com um volume próximo a R$ 1 bilhão: “Foi um processo construído com ampla participação dos movimentos sociais e do sistema financeiro”, afirmou, citando entidades como MST, Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetraf-RS) e cooperativas de crédito.
O superintendente também destacou o perdão da dívida do estado por três anos e a criação de um fundo específico para catástrofes, o Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), estimado em cerca de R$ 14,5 bilhões. Ele afirmou que o governo federal seguirá acompanhando a aplicação dos recursos: “A gente quer saber o que foi feito com tudo isso. Isso é absolutamente natural”, disse.
Ao projetar o futuro, Bernardes anunciou a realização de novos ciclos de debate ao longo de 2026, com foco na agroecologia e nos modelos produtivos. Entre as iniciativas, está a articulação com universidades e instituições como a Embrapa Clima Temperado, além de ações voltadas à regularização fundiária e ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) para famílias atingidas.

“Crise climática exige olhar integrado”, diz reitora da UFRGS
A reitora Márcia Barbosa defendeu que a emergência climática deve ser analisada em conexão com outras dimensões da sociedade: “Ela não é uma questão descorrelacionada com as demais coisas que estão acontecendo no mundo. Eu me recuso a olhar só a questão climática sem examinar também a questão geopolítica, o machismo, a misoginia que está permeando o planeta”, afirmou.
Ao tratar das enchentes, destacou que os eventos extremos já eram previstos pela comunidade científica: “Aquela ‘provinha’ da enchente foi surpresa para zero cientistas climáticos. Temos uma rede de 400 cientistas que já vinha avisando há muito tempo que teríamos seca no Norte e enchente no Sul. O país só não conseguia dizer a data e o horário”, explicou.
Para ela, o problema central foi a falta de preparação: “Fomos pegos desprevenidos porque simplesmente não nos organizamos. Existe uma cultura de não se mover enquanto o problema não está caindo na cabeça”, avaliou.
Durante as enchentes de 2024, a UFRGS organizou uma rede com mais de 100 pesquisadores, em articulação com a Defesa Civil, para diagnosticar danos e propor ações, nem todas implementadas. Entre as iniciativas, destacou a formação de professores para atuação em contextos de emergência climática. “É pela educação das crianças que se prepara toda uma comunidade”, afirmou. A universidade também criou um sistema próprio de monitoramento climático: “Quando há previsão de evento extremo, a equipe acompanha dados de satélite hora a hora e opera com um sistema de bandeiras”, explicou.
A reitora alertou para a possibilidade de novos eventos extremos já em 2026 e defendeu maior preparação: “Precisamos dar alertas precisos e nos preparar melhor”, disse. Ela também chamou atenção para os impactos sociais das enchentes: “Embora a criminalidade em geral tenha diminuído, a violência contra a mulher aumentou. Isso é muito sério”.

Crise climática e soberania alimentar no centro do debate
“O que nós costumamos discutir é a inevitabilidade das precipitações. Elas vão continuar acontecendo, ao mesmo tempo em que temos a fragilidade do território gaúcho e do planejamento”, afirmou Leonardo Melgarejo na abertura da mesa “As mudanças climáticas e a soberania alimentar”.
O ambientalista destacou a capacidade de resposta da sociedade civil, especialmente durante as enchentes, quando redes de solidariedade foram mobilizadas em diferentes regiões do estado: “Como numa banda de jazz, cada um tocando o seu instrumento com independência, formaram uma harmonia que demonstrou que o Rio Grande do Sul tem capacidade própria para enfrentar esses problemas.” Melgarejo defendeu ainda transparência no uso dos recursos federais destinados à reconstrução e a necessidade de monitorar a aplicação desses valores.

Medo, insegurança e crítica ao modelo agrícola
Pela Fetraf-RS, o agricultor ecologista Luis Carlos Scapinelli afirmou que a principal marca deixada pelas enchentes foi a perda da segurança, tanto no campo quanto nas cidades: “O que mais nós perdemos foi a segurança, porque nós temos medo. ”Segundo ele, a instabilidade climática passou a fazer parte da rotina, alterando práticas produtivas e decisões cotidianas: “Uma das primeiras coisas que eu faço quando acordo é olhar a previsão do tempo”.
Scapinelli destacou que os impactos recaem de forma mais intensa sobre a população de baixa renda: “Quem mais sofre? Os mais pobres. Sofrem nas cheias, no frio, no calor, e muitas vezes não têm condições de sair dos lugares onde vivem”.
Ele criticou a ideia de que a resposta às tragédias pode se dar apenas pela ação individual:
“Numa tragédia, precisa de prevenção, precisa de ajuda, precisa diminuir os impactos. Isso exige um poder público comprometido”.
Ao tratar das causas estruturais dos desastres, o dirigente afirmou que o modelo agrícola atual fracassou. Segundo ele, o sistema baseado na monocultura e na exportação não garante sustentabilidade ambiental nem renda para a agricultura familiar.
Como alternativa, a Fetraf-RS tem defendido práticas agroecológicas, como o Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH), capazes de aumentar a infiltração da água no solo e reduzir o escoamento superficial: “Do jeito que está hoje, choveu, a água vai embora quase como no asfalto, causando destruição”.

“Não temos soberania alimentar”
Pelo MTD, Sandra Christ afirmou que o debate sobre mudanças climáticas e soberania alimentar precisa ir além da produção de alimentos e alcançar dimensões estruturais da sociedade. Segundo ela, a discussão envolve diretamente direitos básicos da população e o modelo de desenvolvimento adotado no país: “Nós não temos soberania alimentar”.
Para Christ, o Brasil ainda está distante de garantir que a sociedade decida sobre o modelo de produção, distribuição e consumo de alimentos. Ela criticou o predomínio do agronegócio e a subordinação da produção às demandas do mercado internacional: “O modelo que predomina não preserva, não ouve a população e não garante o direito de se alimentar com dignidade. A produção de comida é uma questão estratégica. Se a gente fica nesse jogo internacional, não tem garantia nenhuma”.
Ela também relacionou a insegurança alimentar às condições de vida e à capacidade de organização social: “A comida é elementar para o desenvolvimento físico e mental. Sem isso, a população fica mais propensa a ser dominada”. Para o movimento, o debate sobre alimentação deve estar articulado à luta por moradia, trabalho e acesso a políticas públicas.
Diante do cenário das enchentes, o MTD propôs a retomada da lei estadual das frentes emergenciais de trabalho, com a criação dos chamados agentes de cidadania solidária. A proposta prevê a contratação de trabalhadores para atuar diretamente em situações de crise, com ações como limpeza de casas, organização de cozinhas solidárias, distribuição de alimentos e apoio à reconstrução das comunidades.
Além da resposta emergencial, os agentes também atuariam em ações estruturais, em articulação com universidades e instituições de pesquisa, contribuindo para mapear áreas de risco, planejar reassentamentos e desenvolver soluções permanentes. “Era mais do que concreto colocar essa lei em prática”, afirmou Christi. Apesar disso, ela criticou a falta de adesão dos governos: “Não conseguimos que nem o governo estadual, nem o federal topassem essa proposta”.
Christ também chamou atenção para a concentração urbana e as desigualdades territoriais: “Mais de 90% da população vive nas cidades, que ocupam apenas 3,5% do território. E os mais pobres estão nas áreas de maior risco”. Ao final, sintetizou a proposta do movimento: “Para nós, é a cidade segura, sustentável e solidária. Esses três ‘S’ precisam estar juntos”.

Organização dos atingidos e desigualdade
Alexania Rossato, da coordenação nacional do MAB, destacou que o movimento ampliou sua atuação diante da crise climática, passando a organizar também atingidos por enchentes, secas e deslizamentos. A partir da experiência com desastres, como Mariana e Brumadinho, alertou que os processos de reparação são lentos e insuficientes: “Mariana já tem mais de 10 anos e as famílias ainda não têm seus direitos garantidos.”
Durante as enchentes no RS, o MAB organizou cozinhas solidárias, produziu milhares de refeições e distribuiu itens essenciais. Segundo Rossato, o principal desafio segue sendo o reconhecimento dos atingidos como sujeitos de direitos: “Não basta reconhecer o desastre. É preciso garantir os direitos.”
Rossato criticou a destinação dos recursos da reconstrução, apontando que parte significativa foi direcionada para obras de infraestrutura e setores econômicos, enquanto demandas sociais seguem sem resposta: “Se cria o negócio do desastre. O recurso vai para reconstruir o que interessa ao capital, enquanto o povo segue nas áreas de risco.”
Alexania expôs que menos de um bilhão de recurso foi para moradia, e até agora foram entregues apenas 174 casas definitivas pelo governo do estado. Também relatou o agravamento das condições de vida das famílias atingidas, com endividamento, moradias precárias e insegurança alimentar: “Tem gente vivendo sem porta, com lona, endividada com banco ou agiota para consertar a casa”, disse.
Segundo ela, cerca de 50% das famílias que vivem em moradias provisórias não foram reconhecidas nos cadastros mais recentes e podem ficar sem acesso a habitação definitiva: “Essas famílias vão passar o resto da vida em casas de 27 metros quadrados”, alertou. Rossato destacou ainda que a crise climática afeta de forma desigual a população. Dados citados por ela indicam que 87% das famílias atingidas recebem até dois salários mínimos, e 65% vivem com menos de um salário.
“Os mais pobres são os que mais sofrem, porque estão nas áreas de risco e têm mais dificuldade de se recuperar.” Para o MAB, os desastres não são eventos naturais isolados, mas resultado de processos históricos que distribuem de forma desigual os riscos e vulnerabilidades.
Entre as reivindicações do movimento estão a criação de políticas públicas específicas para populações atingidas, a garantia de moradia digna e a reparação integral dos danos. Por fim, reforçou que a luta segue em curso e destacou a dimensão simbólica da mobilização: “Defender os direitos das populações atingidas é defender a dignidade e a justiça”, afirmou.
De acordo com o governo do estado, na área habitacional os investimentos já chegam a R$ 1,5 bilhão, com ações estruturadas em duas frentes. A primeira, voltada ao atendimento emergencial, implantou 625 moradias temporárias em 10 municípios, com investimento de R$ 83,3 milhões. Segundo o estado, 99 famílias já deixaram essas unidades e 526 seguem atendidas, com alternativas definitivas em execução.
A segunda frente envolve soluções permanentes, com previsão de investimento de R$ 647 milhões para a construção de 2.723 moradias definitivas em 56 municípios. Até o momento, 176 unidades foram entregues, com outras em fase de execução ou contratação.

“Estamos à beira de um colapso climático”
Pelo MPA, Gerson Borges afirmou que a crise atual já não pode mais ser tratada apenas como mudança climática. Para ele, o problema é resultado direto do modelo capitalista: “É um modelo que transforma a natureza e os seres humanos em mercadoria.”
Borges chamou atenção para o aumento da fome no mundo e para a relação com o modelo agrícola global: “Hoje são 673 milhões de pessoas passando fome”. Segundo ele, as políticas públicas não chegam de forma efetiva às populações mais pobres: “As famílias camponesas não têm casa, estão endividadas, a política pública não está chegando”.
Ele também destacou dados sobre a destruição ambiental: “Já perdemos 52 milhões de hectares da Amazônia. Só no ano passado foram destruídos 579 mil hectares”, afirmou, alertando para o risco de atingir pontos de não retorno. No Brasil, segundo Borges, a maior parte das emissões está ligada ao uso do solo: “O grande vilão das mudanças climáticas no Brasil é o agronegócio”, disse, criticando a ausência de reforma agrária e de políticas voltadas à produção de alimentos.

Durante as enchentes, o MPA articulou a ação “Sementes de Solidariedade”, em parceria com outros movimentos, atendendo mais de cinco mil famílias em 77 municípios: “Levamos sementes, alimentos e, principalmente, solidariedade. Muitas famílias tinham perdido tudo, inclusive familiares”, relatou Borges.
Segundo ele, a ação foi fundamental no curto prazo, mas não resolve os problemas estruturais: “Muitos perderam a terra, ficou só o cascalho”. Como alternativa, o movimento defende um novo modelo de desenvolvimento, baseado no chamado Plano Camponês, com foco na agroecologia, no protagonismo de mulheres e jovens e na soberania em diferentes dimensões.
Entre as iniciativas, está a proposta da Missão Josué de Castro, que prevê rotas populares de produção e distribuição de alimentos, conectando a agricultura familiar às periferias urbanas, com a meta inicial de atender cerca de cinco milhões de pessoas. Ao tratar do financiamento, Borges destacou que “o campesinato mais pobre é excluído” e defendeu a busca por recursos, inclusive a fundo perdido.
Ele reconheceu o desafio das propostas: “É uma iniciativa talvez ousada, mas nós temos que ousar. O tempo histórico exige e não basta ficar só contemplando e criticando”. Para o dirigente, é preciso avançar na construção de alternativas concretas: “Temos que ir testando e buscando fissuras nesse sistema, para um dia superá-lo. Pode ser uma utopia, mas é daquelas necessárias”.
Acúmulo de forças e disputa de modelos
Dirigente do MST, Álvaro Delatorre destacou que o enfrentamento da crise climática passa pela disputa política e pela capacidade de organização dos movimentos sociais: “Nós estamos na luta política e ela se dá a partir de uma correlação de forças”, afirmou. Para Delatorre, esse acúmulo se dá em diferentes frentes – municipal, estadual e federal – e será decisivo diante dos próximos anos: “O que acontecer nos próximos 10, 20 anos vai determinar o grau de sofrimento das pessoas, especialmente das mais pobres”, disse.
Ele também apontou que a disputa política e ideológica está cada vez mais explícita: “Nunca antes se explicitou tanto essa opção pela acumulação capitalista em detrimento do trabalho”, afirmou, defendendo a construção de consensos e alianças entre os movimentos. O dirigente defendeu que a crise climática deve ser compreendida como consequência de uma crise ambiental mais ampla, ligada à forma como o capital se relaciona com a natureza.

De acordo com ele, há dois projetos em disputa no país: o agronegócio e o modelo das comunidades camponesas: “É uma disputa entre formas distintas de relação com a natureza e com o território.” Nesse contexto, destacou a soberania alimentar como eixo estratégico. “Não se trata só de matar a fome, mas de garantir que os povos decidam o que produzir e como produzir a partir de suas realidades”.
Como resposta, o MST defende a chamada reforma agrária popular, que incorpora princípios como soberania alimentar, agroecologia e cooperação: “A reforma agrária, ou será popular, ou não será”, afirmou Delatorre. Segundo ele, o modelo inclui a construção de relações com equidade de gênero e geração, além da transição agroecológica como caminho.
Segundo Álvaro, qualquer solução precisa partir dos territórios e das populações: “Não existe possibilidade de reconstruir a relação entre ser humano e natureza que não seja de caráter popular”. O dirigente também ressaltou a necessidade de incidência sobre políticas públicas e revisão de prioridades orçamentárias: “Só a nossa capacidade organizativa é insuficiente. Precisamos influenciar a política pública. Precisamos acumular força política”, reforçou.