Atingidos fortalecem produção sustentável e recuperação ambiental em Rondônia

Atividade reuniu mais de 30 lideranças de Candeias do Jamari e Porto Velho para planejar a continuidade do projeto Produção Sustentável em Comunidades Atingidas da Amazônia

Participantes reunidos na comunidade de Maravilha, em Porto Velho (RO). Foto: Klézi Martins / MAB
Participantes reunidos na comunidade de Maravilha, em Porto Velho (RO). Foto: Klézi Martins / MAB

Nos dias 27 e 28 de fevereiro, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e a Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI) realizaram, em Porto Velho (RO), o 2º Encontro de Lideranças Locais, mesclando debates teóricos e ações práticas, com foco no fortalecimento das famílias beneficiárias e na recuperação de áreas degradadas no estado.

A atividade teve início com uma análise de conjuntura debatendo a realidade das comunidades atingidas. O diálogo fundamentou a roda de conversa sobre os pilares do projeto: produção sustentável e reflorestamento; formação e capacitação; sustentabilidade nas escolas; e fundo comunitário.

No campo da gestão, foram apresentados dados sobre o status das regiões beneficiadas. Um ponto de atenção foi a regularização documental, etapa essencial para garantir a segurança jurídica e o acesso das famílias aos benefícios. A tarde foi dedicada ao fortalecimento da governança local, definindo o papel de cada liderança e consolidando o cronograma de metas para o próximo período.

Lideranças locais reunidas na plenária durante apresentações e debates no primeiro dia. Foto: Klézi Martins / MAB
Lideranças locais reunidas na plenária durante apresentações e debates no primeiro dia. Foto: Klézi Martins / MAB

Ação Prática: Campanha “Plantando Vidas”

No segundo dia de atividades, as lideranças se deslocaram para a Comunidade Maravilha, onde foi realizado uma jornada de educação ambiental a partir dos fundamentos da campanha “Plantando Vidas”, que foi idealizado em 2019 pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) com apoio da Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI), como uma resposta política e ambiental dos atingidos em todo o Brasil. O projeto nasceu com o objetivo de recuperar ecossistemas degradados por grandes empreendimentos e reafirmar a soberania das comunidades sobre seus territórios, promovendo o plantio de árvores como um ato de resistência e cuidado com a vida.

Em Porto Velho, a atividade culminou em uma intervenção direta na natureza, com o plantio de 110 mudas de espécies nativas e frutíferas, como açaí, ipê, buriti e cacau, às margens do Lago Maravilha, sendo guiados por Maria Conceição, guardiã do lago. Mais do que uma ação isolada, o plantio serve como modelo de tecnologia social que a ADAI e o MAB pretendem replicar em outras comunidades atingidas, para combater a crise climática e a degradação ambiental na Amazônia.

Sobre o Projeto

O projeto Produção Sustentável em Comunidades Atingidas da Amazônia é realizado pela ADAI, em parceria com o MAB – entre outras organizações populares – com financiamento do Fundo Amazônia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As principais ações são:

  • Implantação de 300 unidades de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), com geração de energia solar e captação de água;
  • Implementação de 200 projetos complementares, orientados sob cinco eixos: agroindústrias comunitárias, produção de hortaliças, criação de pequenos animais, agroflorestas e as feiras comunitárias;
  • Implantação de cinco viveiros de mudas de árvores nativas;
  • Plantio de 200 mil árvores nativas da região;
  • Capacitação das famílias atingidas para produção de mudas de árvores nativas, verduras, legumes e criação de animais para venda ou fabricação de produtos derivados desses plantios;
  • Realização de atividades para estimular a produção sustentável, alimentação saudável e preservação das florestas nas escolas localizadas nas regiões atendidas, beneficiando mais 600 famílias de 32 comunidades atingidas dos estados do Amapá, Pará, Tocantins, Rondônia e Mato Grosso.

Defender a Amazônia é defender a Vida!