MAB, MPT e REC fortalecem ações em Agroecologia e Comunicação Popular em Rondônia
A atividade teve como objetivo principal acompanhar o impacto social e produtivo de projetos e as ações de fortalecimento da comunicação popular
Publicado 14/04/2026 - Actualizado 14/04/2026

Na última quarta-feira (08), a Comunidade de Rancho Alegre, em Candeias do Jamari (RO), recebeu uma visita que reafirmou a solidez da parceria entre o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Ministério Público do Trabalho (MPT), Grupo de Pesquisa e Extensão Rádio Educação Cidadania (REC) e Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP) da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).
O encontro contou com a presença do Secretário Nacional de Comunicação do MPT e Procurador Regional do Trabalho, Rafael Dias Marques; dos Procuradores do Trabalho do MPT RO/AC, Camilla Holanda e Carlos Alberto; da coordenadora e professora Evelyn Morales e das extensionistas Bruna de Paula e Joana Carolina, do REC/UNIR; e da extensionista da ITCP/UNIR e estagiária do MAB, Raquel Vieira. O grupo foi recebido pela coordenação local do MAB, participantes do projeto Cestas Agroecológicas – parceria entre MAB e ITCP desde 2022 – e pela coordenação estadual do movimento.

Durante a agenda, o grupo pode conferir a evolução dos sistemas agroflorestais das famílias de Rancho Alegre, militantes do Movimento dos Atingidos por Barragens e participantes do projeto de extensão Cestas Agroecológicas do MAB. No lote de Mônica de Brito e William Santos, o viveiro e a diversidade produtiva demonstraram a viabilidade técnica do modelo agroecológico. Já no lote de Márcio Domingos e Ana Maria, ficou evidente a expansão da agrofloresta implantada há apenas um ano, comprovando que a formação técnica e a organização política geram resultados concretos na recuperação do solo e na soberania alimentar.
Comunicação Popular e Articulação Institucional
Além da produção de alimentos, a visita pautou a importância da comunicação como ferramenta de luta. A articulação com o Grupo de Pesquisa e Extensão Rádio Educação Cidadania, da Universidade Federal de Rondônia, foi apontada como um modelo de sucesso em âmbito nacional, unindo a produção acadêmica à vivência dos movimentos sociais.
Para a coordenadora do REC/UNIR, professora Evelyn Morales, essa integração é o que dá sentido ao fazer acadêmico. “A articulação da universidade com os movimentos sociais e coletivos populares é uma forma de ultrapassar os muros da instituição e colocar as e os estudantes em contato direto com a realidade concreta, para além da teoria e técnicas”. Segundo ela, a prática da educomunicação permite que bolsistas e voluntários ressignifiquem sua relação com o mundo. “Isso só se faz caminhando, tentando, realizando, em comunhão com a outra e o outro; em comunidade!”, completou.




O Ministério Público do Trabalho tem sido um aliado estratégico nesse processo, indo além do gabinete e inserindo a voz das comunidades nos processos institucionais. A procuradora Camilla Holanda enfatizou que o objetivo da visita foi apresentar ao Secretário Nacional uma forma de fazer comunicação institucional construída com as comunidades.
“O MAB tem sido uma ponte indispensável entre o MPT e as pessoas diretamente atingidas. Foi a partir dessa interação que passamos a receber denúncias com consistência e a entender as demandas do território com profundidade”, explicou Camilla. Ela ressaltou ainda o impacto jurídico dessa parceria: “A voz das pessoas diretamente atingidas passou a chegar aos autos. Depoimentos, relatos e registros produzidos pelas próprias comunidades passaram a compor inquéritos civis e processos judiciais. A narrativa do território entrou na documentação jurídica”.
Enfrentamento à crise climática

Mesmo diante dos desafios impostos pela crise climática, a visita selou um compromisso de unidade. Para os órgãos envolvidos, o diferencial de Rondônia tem sido a capacidade de ouvir o território sem fórmulas prontas.
“O que percebo nas idas ao território é que falta escuta. Os órgãos públicos raramente chegam dispostos a ouvir de verdade o que as pessoas têm a dizer sobre o que perderam e o que precisam. Essa escuta qualificada tem sido o centro de tudo”, pontuou a procuradora Camilla Holanda.
Ao final da visita, o sentimento de coletividade foi reafirmado. Diante da lógica do lucro que degrada a Amazônia, o diálogo entre as instituições públicas, acadêmicas e o movimento social reforçou a necessidade de defender a vida. “Seguimos unidos para apresentar e defender propostas de um modelo de existência que priorize a qualidade de vida, o bem-estar e a harmonia com a natureza”, conclui Laércio Cavalcante, da coordenação estadual do MAB em Rondônia.