MAB abre cozinha solidária em Canoas (RS) e distribui 600 marmitas por dia

Produção no município – que concentra o maior número de desabrigados do Rio Grande do Sul – teve início no último domingo (19), por meio de parceria com diversas entidades e organizações sociais


“Uma comida gostosa e quentinha, que possa alimentar o corpo e aquecer o coração”, assim a cozinheira Maria Mathias, integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), descreve a produção na cozinha solidária de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, que entrou em operação no último dia 18. No espaço, todos os dias, são preparados 30kg de arroz, 16kg de feijão, 80 kg de carne e 30 kg de verdura ou salada, que se transformam em 600 marmitas distribuídas em abrigos, residências e acampamentos improvisados. A iniciativa, que conta com 30 voluntários, é fruto de uma parceria entre diversas organizações, como o Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro), o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), a Marcha Mundial de Mulheres (MMM), o Sindicato dos Motociclistas Profissionais, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), entre outras.

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O município de Canoas concentra a maior população de desabrigados pelas enchentes no Rio Grande do Sul. De acordo com dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, 24,09% dos gaúchos desabrigados estão no município. Famílias da cidade têm se refugiado nas passarelas, viadutos, nos carros e carrocerias de caminhões, além dos 70 abrigos improvisados após as enchentes. Patrícia de Souza Menezes, cuidadora de idosos, teve sua casa inundada pelas chuvas no bairro Mathias Velho. Desabrigada, a atingida que está alojada provisoriamente na casa da mãe, é uma das voluntárias que está atuando na cozinha solidária coordenada pelo MAB. “Eu não posso parar com o trabalho voluntário. Se eu parar, eu fico doente. Ajudando aqui eu estou me ajudando também, porque o choro vem todos os dias. À noite eu não paro de pensar no que aconteceu e, sempre quando eu acordo, fico tentando entender onde estou”, desabafa.

Drica Cordonet, integrante da Marcha Mundial das Mulheres, ressalta que a participação das mulheres é fundamental para que as iniciativas de solidariedade saiam do papel e se mantenham em funcionamento neste momento. “As mulheres estão dominando as cozinhas solidárias, não porque esse seja um trabalho de cuidado – que é um lugar historicamente relegado às mulheres, mas porque as mulheres têm maior sensibilidade da solidariedade”, pontua.

Enquanto a água recua, a cozinha avança

Motociclista Douglas Benites, que está atuando de forma voluntária na entrega das marmitas em Canoas. Foto: Amélia Gomes / MAB

Para levar a comida até quem tem fome, a Cozinha Solidária conta com um apoio fundamental da rede de distribuição dos motociclistas de Canoas. Além de entregar as marmitas, os motociclistas também fazem uma conexão entre os atingidos e os parceiros. Douglas Benites é um dos voluntários. O motoboy afirma que, mais do que alimento, a cozinha leva solidariedade e organização para o povo. “O nosso trabalho também é entender o que as pessoas estão precisando, o que há de necessidade mais imediata neste momento. Hoje mesmo, vamos levar água para uma das famílias que está recebendo marmita, porque eles demandaram”, conta. “Conforme a água [da enchente] vai recuando a nossa cozinha vai avançando e a gente vai ocupando, enraizando e estruturando a vida do povo através da solidariedade”, completa.

Alexania Rossato, integrante da coordenação nacional do MAB afirma que, além da alimentação, a retomada da vida das famílias atingidas também é uma preocupação do Movimento. “O direito à moradia, como será a realocação das famílias, assim como políticas sobre a tarifa de água, energia e IPTU são questões que nos preocupam”, aponta. “Nós estamos organizando as famílias para que os atingidos sejam sujeitos protagonistas nessa reconstrução, que é de responsabilidade do Estado”, completa.

Seja voluntário

Para avançar na produção, a cozinha solidária de Canoas precisa da sua ajuda. Se você é de Canoas ou região, pode se inscrever para atuar como voluntário na produção da comida, nas tele-entregas ou na limpeza do espaço, mas se você está fora da região, pode contribuir com qualquer quantia através do pix da campanha que subsidia a compra de equipamentos e alimentos.

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