Em Sinop (MT), MAB promove atividade cultural com debate sobre impactos no rio Teles Pires

Atingidos debateram, em atividade cultural, danos causados a partir do complexo hidrelétrico Teles Pires

Com destaque para realizações artísticas, o evento “Amazônia em debate – Teles Pires, o rio mais impactado da Amazônia” ocorreu no espaço Xingu no município de Sinop, no Mato Grosso, no último domingo (22).

Comunicação MAB / MT

A atividade é parte de um processo que tem por finalidade ampliar os canais de denúncias dos crimes ambientais e violações de direitos humanos cometidas pelos empreendedores das hidrelétricas no Teles Pires.

O debate em torno da UHE Sinop ficou em evidência no evento, que foi realizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens em parceria com o coletivo Proteja Amazônia, Fórum Teles Pires e Comissão Pastoral da Terra.

Um dos objetivos do espaço foi fortalecer o processo de responsabilização desses empreendedores pelos crimes cometidos. A arte foi uma das principais linguagens usadas na atividade. Foram expostas 40 fotografias em tamanho A3, que compõe o acervo histórico do MAB no estado.

O grafiteiro Jessé, após uma visita na comunidade atingida, produziu três painéis sobre o tema (dois moveis e um fixo). Houve também a produção de um vídeo para circular nas redes sociais sobre o processo histórico das violações, crimes ambientais e luta dos atingidos.

Comunicação MAB / MT

Após uma marcante mística que abordou dados e elementos sobre desmatamento, queimadas, agronegócio e hidronegócio na floresta amazônica e os efeitos sobre seus povos, foi exibido o filme ‘O Complexo’.

Esse curta é uma produção do Fórum Teles Pires de 2018, que traz uma reflexão sobre os impactos socioambientais a partir dos empreendimentos hidrelétricos construídos no baixo e médio Teles Pires. 

Em seguida foi aberto para o debate, onde diversas pessoas puderam fazer uso da fala para expor e debater sobre os impactos sinérgicos do agro e hidronegócio na região.

Daniel, agricultor da Gleba Mercedes V, relatou sua vivência enquanto atingido desde o início do processo quando a usina hidrelétrica de Sinop começou a ser instalada, “foi um longo processo de reuniões e lutas para fazer valer os direitos”, afirma o atingido.

Comunicação MAB /MT

O depoimento de Daniel demonstrou que a organização popular para a luta contra as diversas violações de direitos dos atingidos se faz de extrema importância e dá frutos.

Professores de algumas instituições de ensino e outros atores importantes do cenário político como a vereadora eleita Professora Gracielle também usaram a palavra para debater sobre a importância desses órgãos na defesa das famílias atingidas e na fiscalização e combate aos crimes ambientais desses empreendimentos.

Assista:

O COMPLEXO – Documentário
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