MAB realiza reunião com a prefeitura de SP para tratar das enchentes na zona leste

Movimento apresentou a necessidade de um plano emergencial para atendimento das famílias atingidas pelas enchentes em São Paulo e um plano estrutural para resolver o problema recorrente em diversos bairros

Nesta terça-feira (4), representantes do MAB se reuniram com o Vitor Sampaio, chefe de gabinete do prefeito Bruno Covas, e com o Fernando Chucre, Secretário Municipal de Desenvolvimento Urbano, para dialogar e apresentar propostas de soluções frente as sucessivas enchentes que as famílias da Zona Leste enfrentam de forma recorrente.

As famílias dos bairros da Zona Leste próximos ao rio Tietê: Vila Jacuí, Jardim Lapenna, Keralux, Vila Nair, União de Vila Nova, Vila Seabra, Vila Itaim, Jardim pantanal e Jardim Helena, convivem há anos com enchentes causadas em momentos de chuva. Com isso a coordenação do MAB na região tem apontado diversos impactos sofridos pelas famílias atingidas pela chuva, como: perdas de móveis, casas, colchões, documentos, alimentos, assim como o contato com águas poluídas ou contaminadas que afetam a saúde da população.

Além das perdas materiais, os danos psicológicos afetam diretamente os atingidos. Para Tamires Cruz, da coordenação regional do MAB, “com qualquer sinal de chuva as pessoas já começam a passar mal, pois sabem que podem perder tudo de novo. É muito sofrimento, as famílias perdem sua história a cada vez que chove”, afirmou.

Além da apresentação da realidade das famílias atingidas, o MAB propôs à prefeitura alguns pontos urgentes para resolver o sofrimento das famílias, como a realização de mapeamento, através de um cadastro socioeconômico e ambiental, de todas as famílias que vêm sofrendo com as enchentes; identificar terrenos e prédios públicos na cidade para reassentar as famílias mais atingidas e que moram em locais com maior precariedade; indenização das famílias para compensar todas as perdas que obtiveram nos últimos anos devido às enchentes; regularização fundiária; saneamento básico e público a todas as famílias que ainda não possuem, limpeza e desassoreamento de todos os córregos e rios na região, e ações de educação e preservação ambiental com as famílias que moram próximas aos rios e córregos das regiões mais atingidas.

Na reunião, a prefeitura afirmou que fará um levantamento de todas as ações que estão em andamento na região, ligados aos planos de urbanização, limpeza dos córregos, drenagens, situação das moradias, regularização fundiária e quantidade de famílias atingidas. Também foi definida uma nova reunião entre prefeitura e o MAB para apresentação de um plano estrutural que garanta saídas para amenizar e resolver a situação dos atingidos na região.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), apresentou a necessidade de um convênio e parceria entre o movimento e a prefeitura para o mapeamento das famílias atingidas e o desenvolvimento de um programa de educação ambiental com as famílias atingidas. É importante também intensificar ações emergenciais com as famílias atingidas, como a demanda imediata de distribuição de 10 mil cestas de alimentos, produtos de higiene e limpeza, álcool em gel e máscaras por mês, de agosto até dezembro de 2020.

Acesso a Tarifa Social de Energia Elétrica

Com a crise sanitária muitas famílias ficaram desempregadas e tiveram sua renda afetada. De acordo com os dados do Ministério da Cidadania, na cidade de São Paulo existem 924.512 famílias cadastradas no Cadastro Único que se enquadram no acesso à Tarifa Social (TSEE), mas apenas 351.936 estão acessando a mesma, enquanto outras 572.576 não estão tendo acesso ao seu direito. O movimento solicitou a inclusão automática de todas as famílias de baixa renda para que o beneficio seja acessado pelas mesmas.

Segundo a prefeitura em reunião, a Secretaria de Assistência Social está organizando a atualização do cadastro das famílias no CadÚnico, e irão verificar junto à secretaria a possibilidade de algum agente ir até os bairros para acelerar o cadastramento.

Ficou encaminhado uma nova reunião nos próximos meses, entre o MAB e a prefeitura para devolutiva dos pontos apresentados e organização de um plano estrutural que possa minimizar e resolver a questão das enchentes.

O MAB reafirma a importância deste diálogo com o poder público, e da necessidade de continuar fortalecendo e ampliando a luta e a organização das famílias atingidas para conquistar seus direitos e melhorar suas condições de vida.  

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