Empresas terceirizadas da Fundação Renova colocam em risco trabalhadores e atingidos em meio à pandemia, em MG

O estado de Minas Gerais está em situação de calamidade pública, a população se preocupa e cobra por medidas de contenção da disseminação do coronavírus.

Foto: Mídia Ninja

O estado de Minas Gerais está em situação de calamidade pública, a população se preocupa e cobra por medidas de contenção da disseminação do coronavírus. Nesse cenário, as cidades de Mariana, Barra Longa, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado, estão recebendo trabalhadores das empresas terceirizadas contratadas pela Fundação Renova.

A Renova é a instituição responsável por executar a reparação dos atingidos e atingidas pelo rompimento da Barragem de Fundão, pertencente às empresas Samarco, Vale e BHP Billiton. A Fundação é instrumento das mineradoras para violar direitos e não atender às necessidades dos atingidos. Nessa semana, mais uma vez, a instituição segue postura autoritária nos territórios, colocando em risco a vida dos trabalhadores de suas terceirizadas e dos atingidos.

As empresas estão transportando trabalhadores entre municípios, retomando obras, fazendo reuniões e com isso, descumprindo determinação da Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG), do Ministério da Saúde (MS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Uma das empresas é a Dinâmica, mas além dela, várias outras estão em atividade no território. Ademais, há denúncias de que trabalhadores das obras do novo reassentamento de Bento Rodrigues, que foram retomadas em 27 de abril, não possuem equipamentos básicos de segurança.

Os efeitos da pandemia são sentidos na região. O município de Mariana tem 20 casos confirmados e uma morte causada pelo coronavírus, inclusive de um trabalhador da empresa terceirizada pela Renova.

Os municípios de Minas Gerais estão se preparando para enfrentar uma das maiores crises no sistema de saúde. As cidades atingidas ainda sofrem diversos danos causados pelos rompimentos de barragem em 2015 e em 2019, e o principal deles são os danos à saúde. A postura da Renova agrava ainda mais a situação na região e não obedece a vontade e a necessidade das populações atingidas.

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