Atingidos por Belo Monte sofrem com alagamentos

Com as fortes chuvas dessa madrugada (16/05) as famílias da lagoa do bairro Independente 1 sofreram com um intenso alagamento. Até a tarde, a água ainda não havia escoado e […]

Com as fortes chuvas dessa madrugada (16/05) as famílias da lagoa do bairro Independente 1 sofreram com um intenso alagamento. Até a tarde, a água ainda não havia escoado e os moradores estão em situação de vulnerabilidade. O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) responsabiliza a Norte Energia pelo atraso na retirada das famílias do local.

As famílias foram reconhecidas como atingidas por Belo Monte após quatro anos de luta.  A Norte Energia deveria ter retirado todos os moradores das palafitas até o dia 30 de abril deste ano, porém, até hoje é possível ver dezenas de casas com famílias morando no local, em meio à água poluída e aos escombros dos imóveis já removidos.

O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) também exigiram que a empresa respeitasse o cronograma de retirada das famílias acordado com o Ibama. A DPU entende que a Norte Energia tem dificultado a negociação ao exigir que os moradores apresentassem uma série de documentos que não estavam previstos.  

“O MAB, que organiza as famílias do local, responsabiliza a Norte Energia por quaisquer acidentes, problemas de saúde ou prejuízos que vierem a ocorrer por conta deste alagamento”, afirma ofício enviado pelo Movimento à Norte Energia. No mesmo ofício, o MAB cobra que a Norte Energia ofereça aluguel social emergencial para as famílias que preferirem sair do local e providencie a mudança imediata, sem prejuízo da negociação para a retirada definitiva, mediante o recebimento de uma casa em um dos reassentamentos coletivos ou indenização em dinheiro.

O Movimento também denuncia que a empresa tem criado dificuldades para retirar as cerca de 200 residências do entorno da lagoa (aterro), desprezando o testemunho das próprias famílias de que o local está sujeito à alagação. 

“Olha como está a minha rua. Eu estou com medo até de dormir à noite e a casa cair, com rachadura e infiltração”, denuncia Valda Lopes, moradora da travessa Xingu, uma das ruas do entorno da lagoa.

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