Marisa: vá em paz, companheira!

Lamentavelmente despertamos com a triste notícia da morte de Marisa Letícia, que faleceu de morte cerebral após ficar internada por mais de uma semana no hospital Sírio-Libanês, em decorrência de […]

Lamentavelmente despertamos com a triste notícia da morte de Marisa Letícia, que faleceu de morte cerebral após ficar internada por mais de uma semana no hospital Sírio-Libanês, em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Esposa de Luiz Inácio Lula da Silva? Ex-primeira-dama do Brasil? Não, Dona Marisa foi muito mais do que isso. Décima filha de sitiantes de São Bernardo do Campo, Marisa nunca teve uma vida fácil.

Assim como Lula, não teve o privilégio de avançar nos estudos formais, parou na 7ª série. Trabalhou ainda menina como babá na casa de um sobrinho de Portinari. Aos 13 anos se tornou operária numa fábrica de chocolates e, aos 20, ingressou na prefeitura de São Bernardo do Campo para trabalhar na área de educação.

Posteriormente, em 1970, casou-se. Mas um acidente logo retirou seu primeiro amor – seis meses depois do casamento, Marcos Cláudio dos Santos morreu enquanto dirigia o táxi de seu pai. Marisa estava grávida de seis meses.

Em 1973, quando procurou o auxílio do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para obter o pecúlio do marido falecido, conheceu Lula. O presidente do sindicato, também viúvo, tentou de tudo para conquistar Marisa. E deu certo.

Mas não deu certo apenas para os dois. A união rendeu frutos para a luta. Em 1980, Marisa segurou a barra de ver seu esposo preso pela ditadura militar, após liderar a greve de metalúrgicos que durou 41 dias.

Além disso, no auge da criação do maior partido que a esquerda ousou construir no Brasil, Marisa foi a responsável por costurar e cortar a primeira bandeira do Partido dos Trabalhadores, o PT.

Marisa sempre foi uma guerreira. Enfrentou a pobreza, o mercado de trabalho sendo mulher, a provação de ser mãe solteira numa sociedade patriarcal, a ditadura militar e o desafio de não se anular como esposa da figura política mais importante das últimas décadas. Ela ganhou todas essas batalhas. Mas o período em que vivemos realmente está superando em muitos aspectos tempos passados. Não temos dúvidas que Marisa foi vítima da tortura do Judiciário e do fascismo.

E Marisa não foi a única que padeceu desse germe que está cada vez maior em nosso país. Com Luiz Gushiken, ex-ministro de Lula e um dos fundadores do PT, não foi diferente. Mais recentemente, ficou ainda mais explícita a falta de pudor dessa direita raivosa quando o ex-ministro Guido Mantega foi atacado também no Hospital Sírio-Libanês ao acompanhar sua esposa que estava em tratamento contra o câncer. Não queremos e não podemos deixar que Lula seja a próxima vítima.

Lamentamos profundamente, enquanto Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a morte de Marisa Letícia. De todas as regiões do país, atingidos e atingidas enviam suas mais sinceras energias de conforto à família e amigos íntimos. Mas fazemos um apelo ao ex-presidente que supere esse momento de luto e dê prosseguimento ao legado da sua eterna companheira: a luta contra as injustiças desse país! A decisão da família de doar seus órgãos apenas reforça esse espírito de empatia pela classe trabalhadora.

Na última segunda-feira (30), estivemos 100 integrantes da coordenação nacional do MAB no Instituto Lula, em São Paulo, para prestar solidariedade nesse momento difícil. Temos clareza também que os ataques imorais à memória de Dona Marisa são direcionados a toda a classe trabalhadora. Precisamos superar mais esse golpe!

Enquanto movimento popular, nossa maior homenagem à Marisa Letícia é aprofundar a luta. De 1 a 5 de outubro, durante o 8º Encontro Nacional do MAB, que ocorrerá no Rio de Janeiro, também lutaremos em sua memória. Perdemos uma guerreira, mas ganhamos uma estrela!

Marisa: presente, presente, presente!

Mulher, água e energia não são mercadorias!

São Paulo, 2 de fevereiro de 2017.

Coordenação Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

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