Ato público de Luta pela Água é na próxima sexta (20)

Em mobilização no vão livre do Masp, Coletivo de Luta pela Água cobra ações do governo estadual para enfrentar a crise no abastecimento.   Escrito por: Flaviana Serafim – CUT São […]

Em mobilização no vão livre do Masp, Coletivo de Luta pela Água cobra ações do governo estadual para enfrentar a crise no abastecimento.


 

Escrito por: Flaviana Serafim – CUT São Paulo

Na próxima sexta, 20 de março, se realizará o Ato de Luta pela Água, com concentração a partir das 14h30, no vão livre do Masp, na Avenida Paulista nº 1578, na capital. A iniciativa é do Coletivo de Luta pela Água, criado em janeiro e que agrega quase 90 entidades, entre as quais organizações não governamentais, técnicoas e especialistas do setor, representantes dos movimentos sociais e sindical, como a Central Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT/SP).

O ato público visa alertar a população para os vários impactos que a crise da água provoca em São Paulo e também cobrar do governo estadual de Geraldo Alckmin (PSDB) medidas urgentes contra as consequências desse desabastecimento, que afeta milhões de pessoas.

“Apesar das chuvas dos últimos dias, os especialistas preveem a continuidade da estiagem e a crise deve perdurar até 2016. A responsabilidade pela má gestão da Sabesp, e por não ter feito fez as obras devidas anteriormente, é do governo estadual paulista. Agora é preciso decretar Estado de Calamidade Pública e colocar em prática, com urgência, um plano de contingência”, avalia Adi dos Santos Lima, presidente da CUT/SP.

Além da decretação de Estado de Calamidade Pública nas Bacias do Alto Tietê e do Piracicaba, Capivari e Jundiaí, para enfrentar a crise atual, o Coletivo de Luta pela Água defende que o governo estadual tome outras medidas, entre as quais: não aumentar a tarifa e cancelar os descontos concedidos aos grandes consumidores; requisitar poços artesianos para uso comum; criar um programa de cisternas e reservatórios coletivos; elaborar um Plano de Emergência construído com ampla participação da sociedade.

O Plano de Emergência deve contemplar, segundo o Coletivo, prioridade ao fornecimento para consumo humano e abastecimento ininterrupto dos imóveis em que residam populações internadas, vulneráveis ou nos serviços públicos de administração pública ou privada (hospitais, unidades de saúde, asilos, creches, escolas, presídios, delegacias, aeroportos, rodoviárias), entre outros.

Crise no bolso e no emprego – No comércio da capital paulista, 60% dos restaurantes e bares sofreram queda no faturamento devido à crise hídrica e, destes, 30% já demitiram, 80% pretendem demitir e 65% reduziram o horário de funcionamento, aponta pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) feita com mais de 400 micro e pequenas empresas.

Nas indústrias, 60 mil corporações são atingidas pela falta de água e 1,5 milhão de empregos no setor estão ameaçados, aponta levantamento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Os produtores rurais familiares também alertam para a queda da produtividade no campo, o que ocasiona a alta no preço dos alimentos na cidade e eleva a inflação no bolso da classe trabalhadora.

Ainda, segundo denúncias do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), há escolas na Grande São Paulo e no interior paulista que ficam o dia inteiro sem água, levando à suspensão das aulas. Em algumas unidades abastecidas por caminhão-pipa, a qualidade do insumo é duvidosa, pois a água trazida é classificada pelos estudantes como “insuportável” devido ao gosto ruim.

Trabalhadores (as) pagando a conta – Apesar do cenário, até o momento as medidas do governo estadual se restringem a campanhas educativas e à cobrança de sobretaxa na conta de água.

“E o governador ainda tem a desfaçatez de creditar como causas do agravamento da situação a escassez de chuva e a falta de compromisso da população com a economia de água”, critica o presidente da CUT/SP.

Contrária à medida, a CUT/SP protocolou, em janeiro último, uma Representação no Ministério Público de São Paulo para impedir que o governo estadual cobre da população o pagamento da sobretaxa no consumo.

Para a Central, a multa, além de ser ilegal, não educa e nem resolve o problema, uma vez que a cobrança penaliza os mais pobres e os que têm maior poder aquisitivo pagam a sobretaxa e continuam consumindo.

O Coletivo de Luta pela Água é integrado, entre outras entidades, pela Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo); Central de Movimentos Populares (CMP); Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen); Frente de Luta pela Moradia (FLM); Federação Nacional dos Urbanitários (FNU); Marcha Mundial das Mulheres (MMM); Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

SERVIÇO
Ato de Luta pela Água

Dia: 20 de março de 2015
Hora: Concentração a partir das 14h30
Local: Vão livre do Masp
Avenida Paulista nº 1578 – Metrô Trianon-Masp – São Paulo/SP

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