Argentinos marcham 150 km para dizer NÃO à Garabi e Panambi

Desde segunda-feira (23), mais de mil pessoas marcham pelo interior de Misiones, província argentina fronteiriça ao sul do Brasil. A atividade, organizada por 41 organizações em torno da Mesa Provincial […]

Desde segunda-feira (23), mais de mil pessoas marcham pelo interior de Misiones, província argentina fronteiriça ao sul do Brasil. A atividade, organizada por 41 organizações em torno da Mesa Provincial No a Las Represas, percorrerá cerca de 150 quilômetros entre as principais cidades que poderão ser atingidas pelas barragens do Complexo Binacional Garabi e Panambi, empreendimento hidrelétrico projetado para o Rio Uruguai, através de acordo entre os governos argentino e brasileiro.

 A principal reivindicação da marcha é a realização de um plebiscito popular, conforme prevê o Artigo 6 da Lei nº 56 do ano de 2011. Segundo a lei, o governador da província é obrigado a chamar um plebiscito para consultar à população de Misiones antes do início da construção de qualquer hidrelétrica.   

Em 1996, essa mesma população conseguiu frear, através de um plebiscito, a construção da Usina Hidrelétrica de Corpus, que seria construída no Rio Paraná através de uma parceria de cooperação energética entre Argentina e Paraguai.

Por telefone, o militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) que participa da marcha, Vanderlei Varella, destacou a participação e o apoio massivo da população local. “Há uma conscientização muito grande dos riscos e ameaças que uma obra desse tamanho pode trazer para a região, que é o enriquecimento de poucos e a violação dos direitos da grande maioria. As pessoas realmente saem às ruas para lutar por seus direitos”, afirmou.

A marcha, que iniciou nesta segunda no município de Panambi, termina depois de 150 quilômetros de caminhada com um grande ato no sábado, dia 28, que pretende reunir mais de duas mil pessoas na cidade de Posadas. “Este é um rio que, apesar de ser o marco da fronteira entre os dois países, nos une na luta dos povos contra o assalto às nossas riquezas”, ressaltou Vanderlei.

O prêmio Nobel da Paz, Pérez Esquivel, confirmou presença no ato em Garupá, que acontecerá na sexta-feira. Na marcha, também há membros das comunidades originais Guaranis, Mapuches e de Salta.


 

Do lado de cá

Do lado brasileiro, moradores dos 19 municípios no Rio Grande do Sul que poderão ser atingidos pelas hidrelétricas também estão mobilizados. Segundo lideranças do MAB na região, a organização dos ameaçados vem se fortalecendo e recentemente conquistaram a paralisação dos estudos de viabilidade das obras.

Para o próximo dia 4 de outubro está agendada uma grande assembleia com representante da Eletrobrás e representantes do governo gaúcho para esclarecer à população a intenção do estado brasileiro com a construção das barragens.

As hidrelétricas de Garabi e Panambi, que irão atingir 12.600 famílias, são resultado de uma parceria entre a estatal brasileira Eletrobrás com a empresa argentina Empreendimentos Energéticos Binacionales S.A. (EBISA).

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