Lutas, sonhos e verdades!

É comum ouvirmos as pessoas julgando, com base no senso comum, os assentamentos do MST (Movimento dos Sem-Terra) e os reassentamentos do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) como improdutivos, […]

É comum ouvirmos as pessoas julgando, com base no senso comum, os assentamentos do MST (Movimento dos Sem-Terra) e os reassentamentos do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) como improdutivos, e seus sujeitos como um “bando de vagabundos”. Essa opinião nada mais é do que a reprodução da opinião dos grandes meios de comunicação. Opiniões essas que são construídas sob o preconceito histórico que a burguesia brasileira tem sobre os pobres. Para isso, editores e jornalistas são pagos para montar suas matérias no conforto de suas mesas de trabalho.

No entanto, os índices de produtividade provam que estas opiniões são falsas e quem as conhece confirma a falsidade. No município de Pinhal da Serra e Esmeralda, no norte do Rio Grande do Sul, assentados da reforma agrária somados com os recentes reassentados do MAB, através do cultivo de amoras, maçã, milho, soja, leite, hortaliças e outros derivados da roça, fazem das grandes extensões de terras um verdadeiro “jardim”, transformando o que antes era coberto por grama e gado.

O reassentamento São Francisco de Assis, localizado no município de Esmeralda, é outra prova disso. Em pouco tempo de existência, esse reassentamento produz em média 150 mil litros de leite mensais, o que faz daquela comunidade, que conta com aproximadamente 30 famílias, a maior bacia leiteira do município. É assim também com os reassentados no município de Chiapeta/RS, atingidos pela UHE Itá, com mais de 300 mil litros de leite mensais. E repete-se com os reassentados nos municípios de Barracão e Erechim. A produção de alimentos cresce aceleradamente a cada ano. Cooperativas e agroindústrias brotam dessas terras. Essa é a verdadeira “face” da realidade.

Pena que alguns promotores, juizes e políticos, infelizmente, consideram ser nociva para nosso país, querendo tornar crime os meios para ter acesso ao direito de produzir. Alguns vão mais além, dizem que tudo isso é um risco para a soberania nacional, inclusive produzir 150 mil litros de leite todo mês.

Comprova-se que a conseqüência da reforma agrária é o aumento da taxa de emprego, maior circulação e distribuição da economia, e o mais importante: o aumento da produção de alimentos saudáveis em um país onde crianças morrem de fome todo dia. A fome sim é um risco à soberania nacional e deveria ser considerada crime!

Essas comunidades através da luta conseguiram mais do que um pedaço de chão, conquistaram sim, um sonho. Um sonho que está sendo construído a cada dia e que aos poucos vai construindo um novo Brasil.

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