A divisão sexual do trabalho e as mulheres atingidas
Documento
Metadados
Título da Arpillera
A divisão sexual do trabalho e as mulheres atingidas
Descrição
As mulheres atingidas a partir do tema “Mulheres e o mundo do trabalho” dialogaram sobre o tema mulheres e o mundo trabalho a partir das suas perspectivas, do seu cotidiano. Através de quatro quadrantes bordados, a arpillera retrata a pluralidade das tarefas que as mulheres realizam nos seus cotidianos.
Os recortes são de um tempo que elas dispõem em um único dia, onde as mulheres encaixam suas triplas jornadas. Isso porque a ascensão das mulheres ao mercado de trabalho não as liberta do trabalho doméstico, submetendo-as ao acúmulo de jornadas, o que para as mulheres rurais é ainda notadamente mais fatigante.
Cada quadrante da peça conta um pouco desse cotidiano. Cedinho, a mulher já está de pé. Levanta antes do marido e é ela quem vai acordar os filhos para eles irem à escola, mas antes disso, é necessário preparar o café da manhã, tudo tem que estar pronto e na mesa para quando a família acordar.
O dia começa com o sol forte e uma ida ao seu quintal produtivo, pois mesmo se trabalha fora de casa ela busca manter seu modo de vida como agricultora. As mulheres narram uma variedade de hortaliças, frutíferas, legumes e ovos que têm nas suas próprias produções. Apesar de muitas vezes não reconhecerem a diversidade e a riqueza que produzem em seus quintais, é a partir desses que podem alimentar a sua família com segurança. Isto porque as mulheres relatam que os seus maridos, muitas vezes, insistem na utilização de veneno nos roçados, mas nos seus quintais produtivos elas não permitem.
Podemos observar a representação da diversidade de alimentos que está presente na cestinha que a mulher traz do seu quintal no primeiro quadrante. No segundo quadrante, é possível notar a variedade de ícones relacionados aos trabalhos desenvolvidos, retratando que a busca pelo acesso à renda não é fácil para as mulheres atingidas. A mulher exerce as atividades domésticas no seu lar e muitas vezes prestam o mesmo serviço na casa de outras famílias que podem ser de localidades distantes das suas. Algumas mulheres também cozinham ou costuram para fora, tarefas que conjuntamente exercem dentro de casa para os seus familiares. Há as que buscam vender os artesanatos que confeccionam ou excedente da sua produção agrícola, se existem feirinhas na comunidade ou cidades vizinhas, elas estarão lá. No entanto, as mulheres relatam que a realidade é que muitas, por necessidade, somam várias dessas atividades bordadas. O acesso das mulheres ao espaço público também é bordado no terceiro quadrante.
Apesar de subjugadas a uma jornada exaustiva, as mulheres atingidas buscam ocupar espaços de organização coletiva e de luta. Assim, a percepção das mulheres sobre a importância de estarem organizadas para o enfrentamento das opressões que são submetidas é observada tanto no âmbito público e coletivo, no sentido das comunidades atingidas, quanto no âmbito doméstico e individual. O dia da mulher se encerra com a mesma solidão e trabalho que começou, todos dormem, mas ela permanece acordada. Já colocou o filho para dormir, mas ainda precisa lavar a louça do jantar que ela preparou sozinha enquanto o marido assistia televisão.
Eixo - Tema
Data
maio 31, 2015
Autoras
Coletivo de Mulheres atingidas do Ceará
Fotógrafo/a
Mércia Vieira Fernandes
Localização
Secretaria Estadual do MAB no Ceará
Dimensões
50 X 80 cm
Bloco
Bordando os Direitos
Anexos
