Natureza em chamas
Documento
Metadados
Título da Arpillera
Natureza em chamas
Descrição
Esta arpillera retrata os impactos da crise climática e das severas queimadas de 2024 nos territórios das comunidades Pedreira, Palmital e Aldeia Tatuí, em Juara, Mato Grosso. A obra registra a destruição da fauna e da flora locais — com a perda de plantas essenciais para a segurança alimentar indígena, como bacaba, cupuaçu, castanheiras e açaí —, além de evidenciar os efeitos da seca e das ondas de calor na drástica redução do nível dos rios e na inviabilização dos cultivos. O bordado expõe as consequências diretas da degradação ambiental na saúde da população, apontando o aumento de doenças respiratórias e o trauma psicológico gerado nas crianças pelo fogo. Mais do que um registro da tragédia que chegou a interromper mobilizações no território Apiaká-Kaiabi, a peça atua como uma denúncia contra a expansão da mineração e a construção de barragens nos rios Arinos e dos Peixes, consolidando a resistência das mulheres ribeirinhas e indígenas que exigem a manutenção dos rios livres e a preservação de seus modos de vida.
Regiões
Eixo - Tema
Data
março 20, 2026
Autoras
Mulheres Atingidas de Juara, Mato Grosso (comunidades Pedreira e Palmital e aldeia Tatuí - TI Apiaká Kayabi)
Cartinha
Nós mulheres das comunidades Pedreira e Palmital e Aldeia Tatuí em Juara construímos essa Arpillera para mostrar a realidade da crise climática que ameaça a vida no nosso território. 2024 foi um ano de intensas queimadas no Brasil, que atingiram comunidades, animais, florestas e plantações de alimento. Em nossa região não foi diferente, o fogo passou e deixou um enorme rastro de destruição. Em agosto do mesmo ano, lideranças de organizações e comunidades da região se reuniram no território indígena Apiaká-Kaiabi para debater sobre a crise climática, porém um incêndio de enormes proporções tomou conta da região, forçando o encerramento da atividade. Esse fato, nos revela grande contradição, como combater as mudanças climáticas quando suas consequências destroem a vida de quem está lutando por um mundo melhor?
O fogo passou pelo território e com ele levou muitos animais, algumas casas, plantas como bacaba, cupuaçu, castanheiras e açaí que são muito importantes para alimentação indígena, além dos danos que vieram depois, como, diminuição da caça, aumento de doenças respiratórias e o trauma que afetou principalmente as crianças que ao ver qualquer sinal de fogo já ficam aterrorizadas. O impacto e as proporções das queimadas estão cada vez maiores e mais frequentes no estado do Mato Grosso, porém não é a única preocupação, o clima está mudando, e com isso vem a seca, que diminui o nível dos rios muito além do normal, vem também as ondas de calor que cozinham a planta dentro da terra impedindo que se transforme em alimento e prejudica a saúde das pessoas, dos animais e da floresta.
Essa arpillera é muito mais que uma história contada, é preservação de memória do território, é denúncia, é resistência, é coletividade. Nós mulheres atingidas que vivemos na beira do Rio Arinos e do Rio dos Peixes lutamos para que nossas águas corram livres, sem construção de barragem, sem expansão da mineração, e todas as formas de contaminação. Esses empreendimentos, além de destruírem ecossistemas, expulsarem comunidades e comprometerem modos de vida tradicionais, contribuem para o agravamento da crise climática. E, como sempre, seus efeitos recaem de forma mais dura sobre os povos e comunidades que historicamente vivem em situação de vulnerabilidade. Defender os rios livres é defender a vida, a justiça socioambiental e o futuro de nossos territórios.
“Mulher, água e energia não são mercadorias!”
Fotógrafo/a
Iandria Ferreira
Localização
Secretaria Estadual do MAB do MT
Dimensões
60 cm x 40 cm
Bloco
Bordando os Direitos
Anexos
MAB fortalece organização popular e a luta das comunidades atingidas no Baixo Tocantins
MAB fortalece construção das Brigadas de Agitação e Propaganda no Pará
