MAB reforça apoio à campanha de candidatura de desembargadora paraense para vaga no TST

Em carta ao presidente Lula, o Movimento dos Atingidos por Barragens destaca a trajetória de Maria de Nazaré Medeiros Rocha e defende maior presença da Amazônia nas instâncias nacionais de decisão

Maria de Nazaré Medeiros Rocha atua no Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (Pará e Amapá) e tem trajetória marcada pela atuação na Justiça do Trabalho na Amazônia. Foto: Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região
Maria de Nazaré Medeiros Rocha atua no Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (Pará e Amapá) e tem trajetória marcada pela atuação na Justiça do Trabalho na Amazônia. Foto: Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região

A escolha da próxima vaga de ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST) pode representar um marco para a Amazônia brasileira. Em defesa de um judiciário mais próxima da realidade vivida pelos trabalhadores da região, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) encaminhou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma carta de apoio à indicação da desembargadora Maria de Nazaré Medeiros Rocha, integrante do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (Pará e Amapá), para o TST.

Para o Movimento, a presença de uma magistrada com trajetória construída na Amazônia fortalece a participação da região em um dos mais importantes órgãos do Judiciário brasileiro. A indicação representa não apenas o reconhecimento da carreira de Maria de Nazaré, mas também o compromisso de ampliar a diversidade regional nos espaços onde se tomam decisões que impactam milhões de trabalhadores em todo o país.

A defesa dessa indicação também está vinculada à realidade vivida pelas populações amazônicas. Nos estados da Amazônia, milhares de famílias convivem diariamente com os impactos provocados por barragens, hidrelétricas, mineração, portos, ferrovias, projetos de infraestrutura e outras iniciativas que avançam sobre os territórios sem garantir os direitos das populações atingidas.

Comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares enfrentam conflitos permanentes em defesa da água, da terra, do trabalho e da permanência em seus territórios. Os impactos das usinas hidrelétricas, projetos de mineração e iniciativas como a proposta de derrocamento do Pedral do Lourenço demonstram a necessidade de que a Amazônia esteja representada nos espaços onde são tomadas decisões que influenciam diretamente a vida de seus povos.

Uma magistrada com trajetória construída na Amazônia

Natural do Pará, Maria de Nazaré Medeiros Rocha construiu sua carreira na Justiça do Trabalho da 8ª Região, responsável pelos estados do Pará e do Amapá. Ao longo de décadas de atuação na magistratura trabalhista, acompanhou de perto as transformações econômicas e sociais da Amazônia, região marcada pela expansão de grandes empreendimentos, pela diversidade dos povos tradicionais e pelos constantes desafios relacionados às relações de trabalho.

Sua atuação é reconhecida pelo compromisso com a efetivação dos direitos trabalhistas, pela defesa da dignidade do trabalho e pela experiência acumulada em um território onde convivem realidades complexas, que vão desde conflitos fundiários e impactos socioambientais até situações de vulnerabilidade enfrentadas por trabalhadores urbanos e rurais. Essa vivência faz com que sua possível chegada ao Tribunal Superior do Trabalho represente também a oportunidade de levar ao Judiciário nacional uma visão construída a partir das especificidades da Amazônia.

Além da experiência na magistratura, Maria de Nazaré é reconhecida pela atuação voltada ao fortalecimento da Justiça do Trabalho, conciliando técnicas, sensibilidade social e compromisso com os princípios constitucionais que asseguram proteção ao trabalho e aos direitos humanos. Para o MAB, esse histórico reforça a importância de sua indicação no momento em que a Amazônia reivindica maior participação nos espaços de decisão do país.

Iury Paulino, da coordenação nacional do Movimento, a indicação da desembargadora representa muito mais do que a ocupação de uma vaga no Tribunal Superior do Trabalho. “Para o MAB, a indicação da desembargadora Maria de Nazaré reafirma a importância de ampliar a participação da Amazônia nos espaços de decisão do país. Sua trajetória inspira confiança e representa a oportunidade de levar ao Tribunal Superior do Trabalho uma visão construída a partir da realidade amazônica. Uma democracia mais forte também se faz com diversidade de territórios e de experiências nos seus tribunais e instituições”, afirmou.

Ao encaminhar a carta ao presidente Lula, o Movimento dos Atingidos por Barragens reafirma que ampliar a presença da Amazônia nos espaços de decisão é fortalecer a democracia e reconhecer que os povos amazônicos precisam participar da construção das políticas e das decisões que impactam seus modos de vida. Para o MAB, a indicação de Maria de Nazaré Medeiros Rocha simboliza não apenas o reconhecimento de uma trajetória consolidada na Justiça do Trabalho, mas também a oportunidade de fazer com que a voz da Amazônia esteja presente em um dos mais importantes tribunais do país.