MAB denuncia desaparecimento de militante sequestrada por Israel em missão humanitária rumo a Gaza
Movimento dos Atingidos por Barragens cobra libertação imediata dos tripulantes e denuncia ofensiva israelense contra ajuda humanitária civil e pacífica ao povo palestino
Publicado 19/05/2026 - Actualizado 19/05/2026

Mais de 24 horas após o ataque da Global Sumud Flotilla por forças militares de Israel em águas internacionais do Mediterrâneo, familiares, organizações populares e entidades de direitos humanos seguem sem informações concretas sobre o paradeiro e as condições dos 329 integrantes da missão humanitária, vindos de 45 países. Entre os sequestrados está a militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e do Movimiento de Afectados por Represas (MAR), Beatriz Moreira, que participava da flotilha em solidariedade ao povo palestino.
A ofensiva israelense contra as embarcações provocou reações internacionais nas últimas horas. Em declaração conjunta divulgada nesta segunda-feira (18), o governo brasileiro e outros países condenaram os ataques e exigiram a libertação imediata dos civis detidos. O documento manifesta “séria preocupação com a segurança e a integridade dos participantes civis da flotilha” e cobra respeito ao direito internacional e às ações humanitárias no Mediterrâneo.
A declaração reforça a pressão diplomática sobre Israel após a interrupção violenta da missão, que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza e denunciava o bloqueio imposto ao território palestino. Segundo relatos divulgados por integrantes da missão e repercutidos na imprensa internacional, embarcações foram cercadas por navios de guerra, atingidas durante a operação militar e tiveram suas comunicações cortadas.
Também ganhou força nas últimas horas uma ampla declaração internacional de solidariedade à flotilha, assinada por organizações populares, redes internacionais, movimentos sociais e entidades que participaram da Cúpula dos Povos na COP30, em Belém (PA). O texto denuncia o sequestro em águas internacionais como uma violação do direito internacional e afirma que os tripulantes tinham como única arma a defesa da vida.
A nota destaca o papel de Beatriz Moreira na articulação internacional dos movimentos populares e relembra sua atuação na secretaria operativa da Cúpula dos Povos. O documento exige do governo brasileiro, do Itamaraty e da comunidade internacional medidas urgentes para garantir a libertação dos sequestrados e o livre trânsito da missão humanitária até Gaza.
“Não podemos permitir que Israel siga realizando prisões ilegais sem levar em conta que eles e elas não estão em guerra, que sua única arma é a defesa da vida”, afirma a declaração.
Os movimentos também reafirmaram o apoio histórico e permanente à resistência palestina e denunciaram o genocídio em curso na Faixa de Gaza. “Nosso repúdio total ao genocídio praticado contra a Palestina. Nosso apoio e abraço solidário ao povo que bravamente resiste”, diz o texto assinado coletivamente.
A Global Sumud Flotilla reúne embarcações civis, ativistas, parlamentares, profissionais de saúde, movimentos populares e organizações humanitárias de dezenas de países. A missão tem caráter não armado e busca romper o bloqueio e o isolamento social e político imposto por Israel à Faixa de Gaza, além de levar medicamentos, alimentos e denunciar internacionalmente a crise humanitária vivida pelo povo palestino.
Nos últimos meses, Gaza tem enfrentado um cenário de devastação extrema. Bombardeios constantes, destruição de hospitais, fome, deslocamentos forçados e bloqueios à entrada de água, medicamentos e alimentos atingem milhões de palestinos, sobretudo crianças, mulheres e idosos.
Organizações internacionais, entidades humanitárias e especialistas em direitos humanos vêm denunciando o aprofundamento da catástrofe humanitária e as sucessivas violações do direito internacional cometidas contra a população civil palestina.
Para o MAB, o ataque à flotilha e o desaparecimento forçado de centenas de ativistas, em águas internacionais, representam mais um episódio da política de terror e cerco promovida pelo Estado de Israel contra qualquer iniciativa de solidariedade ao povo palestino. A ausência de informações sobre os sequestrados amplia a preocupação internacional e reforça a exigência de libertação imediata de todos os integrantes da missão humanitária.