MAB e ADAI oficializam entrega de tecnologias sociais de água e saneamento em Rondônia
Após vistorias técnicas, Memorial Chico Mendes aprova 163 unidades do projeto Sanear Amazônia em comunidades de Porto Velho e Médio Madeira
Publicado 22/04/2026 - Actualizado 23/04/2026

Entre os dias 07 e 12 de abril, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e a Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI) realizaram as vistorias técnicas finais para a homologação das Tecnologias Sociais (TSs) de acesso à água e saneamento em Rondônia. A atividade, que marcou a conclusão das obras e a autorização para entrega às famílias das TSs da primeira etapa, contou com o aval de Willians Santos, coordenador técnico do Sanear Amazônia pelo Memorial Chico Mendes (MCM), e de Valdirene Oliveira, coordenadora geral do projeto pela ADAI.
A conquista é fruto da articulação direta do MAB que, em 2024, apresentou ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) as demandas das famílias atingidas pela Usina Hidrelétrica (UHE) Santo Antônio e pela crise climática, visando garantir direitos fundamentais aos territórios.



Nesta etapa, as vistorias concentraram-se nas comunidades de Paulo Leal, Betel e Belmont. A equipe de campo – formada por Cleusely Trochmann, Evanilce Garcia e Maurício Ramos – inspecionou 57 tecnologias sob responsabilidade da ADAI, sendo 46 sistemas Multiuso Comunitário de Terra Firme, 8 Microssistemas Comunitários Subterrâneos e 3 sistemas Multiuso Autônomo de Terra Firme. Na sequência, o grupo acompanhou a vistoria de 106 TSs executadas pelo Instituto Vitória Régia (IVR) nas comunidades de Maravilha (72 unidades) e Ramal do Jacu (34 unidades), incluindo sistemas adaptados para áreas de várzea.
Para Willians Santos, a visita permitiu acompanhar de perto a implementação das tecnologias, identificando avanços e pontos que ainda demandam ajustes. “O momento foi essencial para reforçar as orientações técnicas, alinhar as expectativas entre os atores envolvidos e qualificar ainda mais a execução do programa”, afirmou.
Um diferencial na execução foi a instalação de painéis fotovoltaicos. A ADAI é uma das organizações pioneiras no uso dessa alternativa nos territórios amazônicos. A energia solar garante a autonomia dos sistemas de água, reduzindo os custos operacionais para os moradores e assegurando a sustentabilidade das tecnologias a longo prazo, mesmo em áreas isoladas.
O Projeto Sanear Amazônia em Rondônia


O Sanear Amazônia, coordenado pelo Memorial Chico Mendes em parceria com o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), integra o Programa Cisternas do Novo PAC e do Fomento Rural. O projeto, que atenderá 800 famílias de 26 comunidades, consolidou-se com a assinatura do contrato em março de 2025. A execução é dividida entre a ADAI (398 TSs) e o IVR (402 TSs).
Para além das obras de infraestrutura, a metodologia prioriza o fortalecimento social. Isso envolve desde a mobilização e o cadastramento das famílias até a realização de oficinas de saúde, gestão comunitária da água e a formação de equipes locais, capacitando os próprios moradores para a operação dos sistemas. Nesse contexto, a atuação do MAB fortalece a organização popular e garante que as ações estejam conectadas à realidade local.
Segundo Willians, “o acompanhamento técnico das organizações executoras, somado à presença de movimentos sociais como o MAB, assegura que esses investimentos públicos resultem em transformações reais, duradouras e aliadas às necessidades dos territórios”, afirma.
O Sanear Amazônia reafirma que o acesso à água e ao saneamento é um direito fundamental de quem vive e protege a Amazônia.