MAB fortalece internacionalismo e solidariedade na semana do Clima em Nova York
Durante toda a programação, Movimento trocou experiências e consolidou agendas de alianças com diferentes organizações do mundo para enfrentar as múltiplas crises da atualidade
Publicado 02/10/2026

Entre os dias 22 a 28, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), participou da 81ª Semana do Clima em Nova York, nos Estados Unidos, que acontece tradicionalmente em setembro, ao mesmo tempo em que a cidade recebe a Assembleia Geral da ONU, principal órgão deliberativo, de formulação de políticas e representativo da Organização das Nações Unidas.
Em diferentes anos, o MAB esteve presente construíndo uma programação de discussões, encontros com parceiros e aliados, desde movimentos de base, que trazem suas denúncias e reivindicações, até a filantropia e cooperação, que discute a agenda de financiamento global. Esse ano a participação é especial, pois acontece no ano seguinte à construção do “IV Encontro Internacional de Atingidos por Barragens, Crise Climática e Crimes Socioambientais”, em Belém, e da Cúpula dos Povos, que mobilizou mais de 70 mil pessoas do mundo para pressionar por avanços no enfrentamento à mudança do clima.
“Estamos durante toda a semana com nossos parceiros e organizações,que estão construindo um movimento internacional de atingidos, construindo solidariedade por acreditarmos que, como vemos aqui mais uma vez, existe uma aliança internacional entre governos de extrema direita e corporações em busca de aprofundar o extrativismo sobre nossos territórios” explica Francisco Kelvim, da coordenação nacional do MAB.
Durante a Assembleia Geral, foi realizada uma reunião sobre ação climática e transição justa, convocada pelo presidente da ONU. Do lado de fora, movimentos sociais protestaram, enquanto, a portas fechadas, representantes de empresas transnacionais e governos discutiam temas como a eletrificação e a ampliação das energias renováveis.
“Compreendemos que a transição que vem sendo construída pelas corporações não é suficiente nem para a descarbonização como se propõe, muito menos para discutir a política energética, o controle dos preços e reestatização necessária se quisermos ter de fato uma transição planejada e que sirva às pessoas”, conclui Francisco.



É hora de mudança!
Um dos pontos altos da programação foi o evento “What Time Is It? Global Climate Movements Exchange” (Que horas são? Encontro de Movimentos Globais pelo Clima), organizado pelo DRUM (Desis Rising Up & Moving), Grassroots Global Justice Alliance, Friends of the Earth International, Grassroots International, além do MAB e Movimento Internacional de Afectados por Represas (MAR).
“Neste período marcado pela aceleração do extrativismo, pelas crises climáticas, pelo militarismo dos Estados Unidos e pelas guerras por recursos, estamos construindo um movimento global de comunidades e territórios atingidos, por meio de uma estratégia comum de organização transformadora de base e mudança sistêmica” explica Jaron Browne, da Grassroots Global Justice Alliance.



Lula defende na ONU a soberania brasileira: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém!”
Na mesma semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a 81ª Assembleia Geral da ONU, no dia 22 de setembro, fazendo um discurso focado em críticas ao imobilismo do Conselho de Segurança, na defesa da soberania nacional e reafirmando a necessidade de construir a paz.
“O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém, Ninguém nos afastará desse caminho!”, afirmou o presidente em seu discurso, se referindo às tentativas de ingerência norte-americanas nas eleições brasileiras. No mesmo dia, o Choose Democracy, organizou projeções na cidade denunciando a relação da extrema direita com o governo Trump.