Enquanto o país se depara com a ameaça de candidaturas de extrema direita, o MAB aponta a reeleição de Lula como a defesa concreta contra a destruição da Constituição
Publicado 28/09/2026

Faltando poucos dias para a decisão nas urnas, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) intensificou seu posicionamento em defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A continuidade da transformação estrutural do país, junto à recomposição do Estado com a ampliação dos direitos da classe trabalhadora é um dos pontos centrais apoiados pelo movimento.
No campo da soberania e da democracia, a proposta de Lula enfatiza a ampliação da participação popular, ancorada em marcos como os 1,4 milhão de participantes no Plano Plurianual (PPA) e as 28 conferências nacionais realizadas, a reestruturação do orçamento público frente aos R$ 50 bilhões destinados a emendas parlamentares em 2026 e a criação do Ministério da Segurança Pública.
Na agenda ambiental, o candidato petista traz a menor taxa de desmatamento da história da Amazônia. Em três anos e meio de gestão, a redução de 99% do garimpo ilegal na Terra Yanomami e a mobilização de R$ 1,3 trilhão em investimentos por meio do Novo PAC e do Plano de Transformação Ecológica. O compromisso com a equidade e com os povos originários se deu ao longo dos últimos anos, ainda, na homologação de 20 novas terras indígenas, somando 3,2 milhões de hectares protegidos, e no alcance do recorde de 65 titulações de territórios quilombolas.
No âmbito do trabalho e dos direitos sociais, o projeto do PT apoia no Senado a aprovação da extinção da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas semanais sem diminuição salarial, sustentando-se no cenário de menor índice de desemprego da série histórica e de crescimento da renda real do trabalho.
A ampliação das redes de proteção reflete-se na saúde, com os programas Farmácia Popular, no Pé-de-Meia na educação e na previdência, onde a política de valorização do salário-mínimo com ganho real contribuiu para reduzir a extrema pobreza ao patamar histórico de 4,6%.
Classificando o momento político como a “eleição das nossas vidas”, Liciane Andrioli e José Josivaldo, integrantes da coordenação nacional do MAB, avaliam que a disputa opõe a continuidade e o aperfeiçoamento da democracia a um projeto de morte e precarização representado pela extrema direita. Para o MAB, a manutenção do atual governo progressista é a principal ferramenta institucional para avançar em conquistas populares, manter abertos os canais de diálogo com a sociedade civil e proteger a classe trabalhadora.
Abaixo, entenda em cinco pontos por que o movimento defende a continuidade do atual governo:
1. Soberania e democracia
A defesa inegociável da soberania e da democracia é o alicerce central do apoio do movimento. Liciane explica que a permanência do atual governo é fundamental para blindar o país de interesses estrangeiros. “Lula seguindo na presidência do país é a garantia para manter a soberania do Brasil e proteger o povo brasileiro, é evitar a interferência e controle dos EUA sobre nossas riquezas”, afirma.
Ela alerta ainda que, caso o projeto progressista seja derrotado, há um “risco real de escalada autoritária e fascista de criminalização dos movimentos sociais e fechamento de espaços democráticos”.
José Josivaldo reforça que a disputa central nas urnas é clara.
“Se elege o fascismo representado pelo projeto da ultradireita no Brasil ou se elege a continuidade da democracia. Embora a democracia burguesa não transforme a sociedade pela raiz, ela sustenta a pilastra onde a classe trabalhadora e os socialistas podem participar nela”.
2. Meio ambiente
No âmbito ambiental, a governança democrática é vista como essencial para enfrentar a emergência climática. Para Liciane, o atual governo devolveu ao Brasil o protagonismo global na transição ecológica.
“Com o avanço da crise climática e a chegada do El Ninho com força neste ano de 2026, precisamos ter a garantia de políticas de proteção e segurança à população atingida, e isto só pode ser garantido em um governo progressista através de muita luta”, pontua. Ela também reforça que ter políticas de preservação do meio ambiente é garantir mais direitos e dignidade ao povo brasileiro.

Josivaldo acrescenta que a preservação passa obrigatoriamente pelas populações do campo e das florestas.
“Sem camponês não há proteção da terra, sem os povos tradicionais, os indígenas, quilombolas, pescadores, as comunidades tradicionais, não há proteção do meio ambiente”, adverte. “Tudo isso tem mais espaço para cobranças num governo que aceita a democracia, que aceita a participação e a pressão do povo”.
3. Trabalho e o fim da escala 6×1
O MAB enxerga na atual gestão um ambiente favorável para a recuperação de direitos trabalhistas, especialmente no embate pela redução da jornada de trabalho. Josivaldo é categórico ao criticar o modelo atual. “Não é possível no século 21, com quase 300 anos de capitalismo, você ainda achar que é normal e natural que os trabalhadores e as trabalhadoras trabalhem seis dias por semana e folguem apenas o domingo. Isso é desumano”.
Liciane ressalta que essa mudança, sem redução de salário, garante melhoria na qualidade de vida. “Garante que as pessoas tenham mais tempo de lazer, de descanso e convivência familiar”.

Em contrapartida, ela denuncia o lado oposto da disputa eleitoral.
“O projeto do Flávio Bolsonaro é ser contra o fim da escala 6×1, é um projeto de precarização do trabalho, diminuição de direito e maior sobrecarga aos trabalhadores”.
4. Direitos (saúde, educação, previdência)
A garantia e a expansão de direitos essenciais estruturam a mobilização nas ruas. Segundo Liciane, “eleger Lula é garantir mais direitos e dignidade ao trabalhador”, o que se traduz em investimentos públicos. “Nas redes de proteção social, fortalecimento do SUS, fortalecimento dos programas de educação, mais universidades e institutos federais”.

Josivaldo enfatiza que é preciso reeleger o presidente para lutar por mais orçamento estatal. Ele repudia fortemente a narrativa da direita de que os direitos sociais quebram o país, em especial no sistema previdenciário.
“A burguesia ataca, diz que ela dá prejuízo aos cofres do Estado. É uma mentira absoluta”. Ele explica que as elites atacam também empresas públicas. “Atacam a Previdência, os Correios, a Petrobras, que é para dar mais lucro para eles e menos para a população. Atacam e querem privatizar a saúde”.
5. Direitos das mulheres e minorias
Por fim, a proteção intransigente aos direitos das mulheres e das populações minorizadas consolida o engajamento do MAB. “Eleger o presidente Lula é a possibilidade de mantermos e ampliar políticas públicas voltadas para os direitos, à proteção social e a autonomia das mulheres”, diz Liciane Andrioli.
Ela lembra que as mulheres são as que mais sofrem violência de todos os tipos. “Por isso, precisam de uma proteção e políticas estruturantes que de fato funcionem”, citando o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio como um exemplo prático de avanço.

“O governo Lula constituiu, em 2026, o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio unindo os três poderes da república e a sociedade civil, visando a redução da violência contra as mulheres. A reeleição de Lula é a garantia de que estas iniciativas sejam fortalecidas. Os movimentos sociais historicamente lutam por políticas públicas coordenadas e integradas de proteção de gênero, porque isso garante de forma mais eficaz o combate às violências de forma estrutural e promove o acesso à igualdade e aos direitos”, diz a militante.
Ao lado de Liciane, Josivaldo conclui que a diversidade da classe trabalhadora precisa de salvaguardas institucionais para sobreviver e avançar. “O tema das minorias, LGBTQIA+, a participação de homens, de mulheres, de negros, de negras, tudo isso é necessário, e só é possível se você reelege um governo que não combate esses direitos e essas iniciativas”, finaliza.